QUARESMA - Tempo de reconciliação e conversão
Qual o significado e origem do nome “Quaresma”?
O nome Quaresma lembra quarenta dias de purificação e
penitência. Quarenta é um número que recorda muitas páginas bíblicas. Só para
lembrar um pouco temos os quarenta dias do Dilúvio; Moisés no Monte Sinai; os
quarenta anos da caminhada do Povo de Deus pelo deserto; o profeta Elias que
caminha quarenta dias e quarenta noites até o Monte Horebe e o profeta Jonas
que dá um tempo de quarenta dias para o povo de Nínive se converter, mas
sobretudo lembremos nos Evangelhos o espírito que fez sair Jesus para o Deserto
e lá por 40 dias foi posto à prova por Satanás e ele convivia com feras e os
anjos o serviam.
Na celebração da Quaresma temos como já vimos os
testemunhos já nos primeiros séculos da Igreja, mas hoje celebramos a Quaresma
no dia de abertura na Quarta-Feira de Cinzas. Três
palavras são propostas como características da espiritualidade da quaresma: esmola,
jejum e oração.
Por que a cor roxa?
A cor litúrgica
deste tempo é o roxo que simboliza a penitênica e a contrição. Usa-se no tempo
da Quaresma e do Advento.
Nesta época do ano,
os campos se enfeitam de flores roxas e róseas das quaresmeiras.
Antigamente, era
costume cobrir também de roxo as imagens nas igrejas.
“Reconciliai-vos
com Deus... Eis o tempo favorável, o dia da salvação.”
(2Cor 5, 20;
6, 2)
Iniciamos o
tempo da Quaresma, convidados pela profecia de Joel a voltarmos para
o Senhor com todo nosso coração (cf. Jl 2,12) e por São Paulo a nos reconciliarmos
com Deus neste tempo favorável da salvação (cf. 2Cor 5, 20). É tempo de
proclamarmos a misericórdia de Deus, buscando o seu perdão.
No início
do cristianismo, o tempo da Quaresma servia à purificação e
iluminação daqueles que se preparavam para os sacramentos da iniciação
cristã (Batismo, Confirmação, Eucaristia). Os catecúmenos iniciavam neste
tempo uma caminhada de exame de consciência, de revisão de vida, de
reconciliação para celebrar e viver os frutos da Páscoa de Jesus
Cristo, aproveitando os 40 dias para preparar-se para a graça da vida
nova, da adesão à pessoa de Jesus Cristo.
Quando termina
a Quaresma?
Esse ideal
ainda permanece. Nós que já fomos iniciados na vida cristã também somos
convidados à purificação e renovação de nosso ardor no seguimento de Jesus,
reavivando nosso Batismo e assumindo nossos compromissos cristãos, à
luz do mistério pascal de Cristo. Somos convidados a intensificar
nossa vida de oração. Entrar na intimidade de Deus, intensificar os laços
de amizade com Aquele que é a razão de nossa vida. Dedicar-nos à escuta da
Palavra, à vivência sacramental.
Destaco aqui
o sacramento da Reconciliação para este tempo de graça. Como estamos
celebrando o sacramento da Reconciliação? Temos sentido necessidade
da misericórdia de Deus, do seu perdão?
Sobre
o sacramento da Reconciliação, o Catecismo da Igreja Católica nos
ensina que: o Batismo nos dá vida nova, mas não suprime a fragilidade,
a fraqueza da natureza humana inclinada ao pecado. Por isso somos chamados
à conversão para vivermos cada dia nossa vocação à santidade. A
Igreja (que somos nós) é santa e pecadora, tem necessidade de purificar-se,
renovar-se, e assim, atraídos pela graça, respondendo ao amor misericordioso de
Deus, celebramos o sacramento da Reconciliação com o coração contrito
e o propósito de conversão sincera. (cf. CIC 1426-1428)
Como
viver a Quaresma como tempo de misericórdia?
A conversão é
obra da graça. Deus chega antes em nosso coração. Nos dá força para
começar de novo. Pela reconciliação o cristão é convidado a
reorientar-se para Deus, de todo coração, rompendo com o pecado. A conversão é
obra da graça. Deus chega antes em nosso coração. Nos dá força para começar de
novo. O Espírito Santo nos dá a graça do arrependimento e
da conversão e nós respondemos a cada dia com o esforço de sermos
melhores e mais coerentes com nossa fé.
O Catecismo
também nos ensina que o sacramento produz efeitos em nossa vida: reconciliação
com Deus, paz e tranquilidade de consciência, consolo
espiritual, ressurreição espiritual, restituição da dignidade da vida de filho
de Deus, reconciliação com a Igreja (comunhão fraterna),
participação dos bens espirituais, reconciliação consigo mesmo e com os irmãos.
Convertendo-se a Cristo pela penitência e pela fé o pecador passa da
morte para a vida. (cf. CIC 1468-1470)
Neste tempo
também somos convidados à pratica da caridade e ao jejum. Oferecemos
nosso sacrifício para nosso crescimento espiritual e para o bem de nossos
irmãos e irmãs.
“A Quaresma
oferece-nos a oportunidade de refletir mais uma vez sobre o cerne
da vida cristã: o amor. Com efeito, este é um tempo propício para renovarmos,
com a ajuda da Palavra de Deus e dos sacramentos, o nosso caminho pessoal e
comunitário de fé. Trata-se de um percurso marcado pela oração e a partilha, pelo
silêncio
e o jejum, com a esperança de viver a alegria pascal”. (Bento
XVI)
Percorramos
o caminho quaresmal, conduzidos pelo Espírito Santo.
Que Ele sustente nossos propósitos e reforce em nós a atenção e solicitude pela
miséria humana, para nos tornarmos misericordiosos, solidários,
reconciliadores, verdadeiros cristãos que comunicam em palavras a atitudes a alegria
do Cristo Ressuscitado!

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