03/07/2021 - LITURGIA E REFLEXÃO DIÁRIA
SÃO TOMÉ APÓSTOLO (Vermelho, Glória, Prefácio dos Apóstolos Ofício da Festa)
Vós sois o meu Deus e eu vos dou graças; vós sois o meu Deus e eu vos exalto: eu vos dou graças porque sois o meu salvador (Sl 117,28).
Deus todo-poderoso, concedei-nos celebrar com alegria a festa do apóstolo são Tomé, para que sejamos sempre sustentados por sua proteção e tenhamos a vida pela fé no Cristo que ele reconheceu como Senhor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
Leitura da carta de são Paulo aos Efésios.
2 19 Conseqüentemente, já não sois hóspedes nem peregrinos, mas sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus,
20 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, tendo por pedra angular o próprio Cristo Jesus.
21 É nele que todo edifício, harmonicamente disposto, se levanta até formar um templo santo no Senhor.
22 É nele que também vós outros entrais conjuntamente, pelo Espírito, na estrutura do edifício que se torna a habitação de Deus.
Palavra do Senhor.
Ide por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho.
Cantai louvores ao Senhor, todas as gentes,
povos todos, festejai-o!
Pois comprovados é seu amor para conosco,
para sempre ele é fiel!
Aleluia, aleluia, aleluia.
Acreditaste, Tomé, porque me viste. Felizes os que crêem sem ter visto (Jo 20,29)
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo João.
20 24 Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.
25 Os outros discípulos disseram-lhe: “Vimos o Senhor”. Mas ele replicou-lhes: “Se não vir nas suas mãos o sinal dos pregos, e não puser o meu dedo no lugar dos pregos, e não introduzir a minha mão no seu lado, não acreditarei!”
26 Oito dias depois, estavam os seus discípulos outra vez no mesmo lugar e Tomé com eles. Estando trancadas as portas, veio Jesus, pôs-se no meio deles e disse: “A paz esteja convosco!”
27 Depois disse a Tomé: “Introduz aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos. Põe a tua mão no meu lado. Não sejas incrédulo, mas homem de fé”.
28 Respondeu-lhe Tomé: “Meu Senhor e meu Deus!”
29 Disse-lhe Jesus: “Creste, porque me viste. Felizes aqueles que crêem sem ter visto!”
Palavra da Salvação.
Sobre as Oferendas
Ó Deus, nós vos oferecemos este sacrifício de louvor, celebrando a profissão de fé feita por são Tomé, vosso apóstolo, e, rendendo-vos o nosso culto de servos, pedimos que conserveis em nós os vossos dons. Por Cristo, nosso Senhor.
Estende tua mão, toca o lugar dos cravos, não sejas incrédulo, mas fiel (Jo 20,27).
Ó Pai, recebemos neste sacramento o Corpo do vosso Filho único; concedei que proclamemos Cristo em nossa vida e nossas ações, reconhecendo nele nosso Deus e Senhor, como fez o apóstolo são Tomé. Por Cristo, nosso Senhor.
Embora na nossa memória a presença de são Tomé faça sempre pensar em incredulidade e nos lembre daqueles que "precisam ver para crer", sua importância não se resume a permitir a inclusão na Bíblia da dúvida humana. Ela nos remete, também, a outras fraquezas naturais do ser humano, como a aflição e a necessidade de clareza e pé no chão. Mas, e principalmente, mostra a aceitação dessas fraquezas por Deus e seu Filho no projeto de sua vinda para nossa salvação. São três as grandes passagens do apóstolo Tomé no livro sagrado. A primeira é quando Jesus é chamado para voltar à Judéia e acudir Lázaro. Seu grupo tenta impedir que se arrisque, pois havia ameaças dos inimigos e Jesus poderia ser apedrejado. Mas ele disse que iria assim mesmo e, aflito, Tomé intima os demais: "Então vamos também e morramos com ele!" Na segunda passagem, demonstra melancolia e incerteza. Jesus reuniu os discípulos no cenáculo e os avisou de que era chegada a hora do cumprimento das determinações de seu Pai. Falou com eles em tom de despedida, conclamando-os a segui-lo: "Para onde eu vou vocês sabem. E também sabem o caminho". Tomé queria mais detalhes, talvez até tentando convencer Jesus a evitar o sacrifício: "Se não sabemos para onde vais, como poderemos conhecer o caminho?". A resposta de Jesus passou para a história: "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim". E a terceira e definitiva passagem foi a que mais marcou a trajetória do apóstolo. Foi justamente quando todos lhe contaram que o Cristo havia ressuscitado, pois ele era o único que não estava presente ao evento. Tomé disse que só acreditaria se visse nas mãos do Cristo o lugar dos cravos e tocasse-lhe o peito dilacerado. A dúvida em pessoa, como se vê. Mas ele pôde comprovar tanto quanto quis, pois Jesus lhe apareceu e disse: "Põe o teu dedo aqui e vê minhas mãos!... Não sejas incrédulo, acredita!" Dessa forma, sua incredulidade tornou-se apenas mais uma prova dos fatos que mudaram a história da humanidade. O apóstolo Tomé ou Tomás, como também é chamado, tinha o apelido de Dídimo, que quer dizer "gêmeo e natural da Galiléia". Era pescador quando Jesus o encontrou e o admitiu entre seus discípulos. Após a crucificação e a ressurreição, pregou entre os medos e os partas, povos que habitavam a Pérsia. Há também indícios de que tenha levado o Evangelho à Índia, segundo as pistas encontradas por são Francisco Xavier no século XVI. Morreu martirizado com uma lança, segundo a antiga tradição cristã. Sua festa é comemorada em 3 de julho.
Reflexão sobre o Evangelho
Por Padre Roger Araújo - Sacerdote da Comunidade Canção Nova
Fé é crer naquilo que não vemos
Tomé é um homem de fé, mas é também um homem da incredulidade e da fé material. A fé material é aquela que exige ver para crer, que não crê naquilo que não vê, naquilo que realmente não toca. Mas não é para condenarmos Tomé, pelo contrário, é para aprendermos com ele como precisamos purificar a nossa fé, como precisamos avançar na nossa fé. Muitas vezes, ficamos nesse estágio da fé mesmo: só cremos no que vemos, só acreditamos naquilo que nós tocamos, quando as realidades divinas, as realidades de Deus, são sobrenaturais.
Não tocamos de forma sensível e material, nós tocamos na fé, tocamos com o olhar da fé. E não é que Tomé não acreditasse em Jesus e na ressurreição d’Ele, mas ele precisava, na sua pobre maneira humana de pensar, tocar.
A fé não exclui a razão, pois a razão é muito necessária para iluminar, para trazer elementos reflexivos; aliás, a razão é muito importante para não vivermos uma fé ingênua, para não acreditarmos em qualquer coisa, para não vivermos uma fé de mitos, de muitas coisas que não são reais.
A fé mística é sublime, penetra as realidades mais profundas
Então, a razão, com certeza, é importantíssima para que tenhamos uma fé centrada, concreta e real. Porque Deus é real, Jesus é real e Ele se encarnou, assumiu uma realidade material, porém, a fé é muito mais do que isso. A fé é justamente crer naquilo que não vemos, porque o que não vemos os olhos da carne não veem. São nas realidades espirituais e sublimes que nós precisamos cada vez mais crescer, tocar e ser tocados.
Sem mística não há uma fé profunda e verdadeira. A fé humana é justamente essa fé que crê no que vê, mas a fé mística é sublime, penetra as realidades mais profundas; a fé mística é aquela que nos leva para a contemplação, é aquela que nos leva a tocar nas realidades sublimes, não é fantasia, invenção, crendice, porque pode correr esse risco.
Muitos transformam as suas fantasias, as suas neuroses e até psicoses em elementos de fé. Não se trata disso não! Trata-se de uma relação simples, amorosa, profunda e autêntica com Deus.
Tomé tocou e acreditou, mas Jesus diz que mais felizes são aqueles que creem sem ver, porque eles creem e veem o que é mais sublime. As realidades mais sublimes e profundas de Deus são mistérios para nossa fé; e mistério não é aquilo que é misterioso, que nós simplesmente não conhecemos, mas mistério é aquilo que é profundo, íntimo, que nos leva à identidade mais sublime de Deus.
Caminhamos no meio da fé e precisamos, cada vez mais, da mística profunda, sensata e serena para tocarmos nas realidades celestiais enquanto caminhamos nesta Terra.
Deus abençoe você!
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