SACRAMENTO DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA

FUNDAMENTAÇÃO BÍBLICO‐TEOLÓGICA
113. O sacramento da eucaristia faz parte do processo de iniciação à vida cristã. Pela comunhão eucarística, aqueles, que foram salvos em Cristo pelo batismo e a Ele mais profundamente configurados pela confirmação, participam com toda a comunidade do sacrifício do Senhor (cf. C.I.C. n. 1332; PO n. 5b). Com efeito, “a Eucaristia é a celebração central da Igreja, alimento substancial dos discípulos e missionários” (DAp n. 25).
114. Jesus instituiu a eucaristia na última ceia que celebrou com seus discípulos, antes de se oferecer em sacrifício ao Pai, e ordenou que estes a celebrassem em memória de sua morte e ressurreição, até a sua volta (Mt 26,17‐29; Mc 14,12‐25; Lc 22,7‐20; 1 Cor 11,23‐27), constituindo‐os, assim, os sacerdotes do Novo Testamento (cf. C.I.C. 1337).
115. A eucaristia, ação de graças ao Pai (Lc 22,19), é também conhecida como ceia do Senhor (1Cor 11,20), fração do pão (At 2,42.46; 20,7.11), assembleia eucarística (1Cor 11,17‐34), memorial da paixão e da ressurreição do Senhor (Lc 22,19), santo sacrifício da missa, sacrifício de louvor (Hb 13,15), sacrifício espiritual (1Pd 2,5), sacrifício puro e santo (Ml 1,11), santíssimo sacramento, comunhão, santa missa (cf. C.I.C. 1328‐ 1330).
116. A Igreja denomina transubstanciação a mudança do pão e do vinho no Corpo e no Sangue de Cristo Nosso Senhor (cf. C.I.C. 1374‐1376). O santíssimo sacramento da eucaristia contém verdadeiramente o corpo, sangue, alma e divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, ou seja, Cristo todo. “A eucaristia é a presença salvífica de Jesus na comunidade dos fiéis e seu alimento espiritual [...] é dom, por excelência, porque dom dele mesmo, da sua pessoa na humanidade sagrada, e também de sua obra de salvação” (EE 9.11).
117. “O sacrifício eucarístico, memorial da morte e ressurreição do Senhor, em que se perpetua pelos séculos o sacrifício da cruz, é o ápice e a fonte de todo o culto e da vida cristã; por ele é significada e se realiza a unidade de todo o povo de Deus, e se completa a construção do corpo de Cristo” (C.D.C. Cân. 897). “Os demais sacramentos, como, aliás, todos os ministérios eclesiásticos e tarefas apostólicas, se
ligam à sagrada eucaristia e a ela se ordenam, pois a santíssima eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa páscoa e pão vivo, dando vida aos homens, através de sua carne vivificada e vivificante pelo Espírito Santo” (PO n. 5b; C.D.C. Cân. 897).
118. “A Eucaristia nos introduz no ato oblativo de Jesus. Não recebemos somente de modo passivo o Logos encarnado, mas participamos da dinâmica de sua entrega” (Deus caritas est, n. 13). “A « mística » do Sacramento tem um caráter social, porque, na comunhão sacramental, eu fico unido ao Senhor, como todos os demais comungantes: «O pão é um, e nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos de um mesmo pão, diz São Paulo (1Cor 10, 17). A união com Cristo é também a união com todos aqueles a quem ele se entrega. Não posso ter Cristo só para mim, somente posso pertencer‐lhe em união com todos aqueles que são ou se tornarão seus. A comunhão me faz sair de mim mesmo para ir ao seu encontro, e assim também ao encontro de todos os cristãos. [...] O amor a Deus e o amor ao próximo estão agora verdadeiramente unidos: o Deus encarnado atrai‐nos todos a si
mesmo. Assim se entende porque o ágape se tornou um dos nomes da Eucaristia: nela, o ágape de Deus vem a nós, corporalmente, para continuar atuando em nós e por nós” (Deus caritas est, n. 14).
119. “Daí a necessidade de dar prioridade, nos programas pastorais, à valorização da Missa dominical. Temos de motivar os cristãos para que participem dela ativamente e, se é possível, melhor ainda com a família. A assistência dos pais com seus filhos à celebração eucarística dominical é uma pedagogia eficaz para comunicar a fé e um estreito vínculo que mantém a unidade entre eles. O domingo significou, ao longo da vida da Igreja, o momento privilegiado do encontro das comunidades com o Senhor ressuscitado. É necessário que os cristãos experimentem que não seguem um personagem da história passada, senão o Cristo vivo, presente no hoje e no agora de suas vidas. Ele é o Vivente que caminha ao nosso lado, descobrindo‐nos o sentido dos acontecimentos, da dor e da morte, da alegria e da festa, entrando em nossas casas e permanecendo nelas, alimentando‐nos com o Pão que dá a vida. A eucaristia deve ser o centro da vida cristã.” (DAp , Discurso inaugural do Papa Bento XVI, n. 4).

ORIENTAÇÕES PASTORAIS
QUEM, QUANDO E COMO RECEBER A EUCARISTIA
120. Qualquer batizado, se não estiver em situação de impedimento, pode e deve ser admitido à Ceia do Senhor e participar da mesa da sagrada comunhão (cf. C.D.C. Cân. 912).
121. A Igreja, em obediência à ordem de Jesus, recomenda vivamente aos fiéis que participem da Ceia do Senhor, memorial de sua morte e ressurreição. Devem, os fiéis, ser orientados e preparados para receber o pão eucarístico toda vez que participam da celebração da eucaristia. Mas, no mínimo, devem comungar uma vez por ano, no tempo pascal (cf. C.D.C. Cân. 920, §§1e 2).
122. Quem já recebeu a santíssima Eucaristia pode recebê‐la uma segunda vez no mesmo dia, somente dentro da celebração eucarística em que participa (cf. C.D.C. Cân. 917).
123. Se alguém tem consciência de ter pecado gravemente, não deve comungar sem antes receber a absolvição no sacramento da penitência (cf. C.I.C., 1415; C.D.C. Cân. 916). Cabe aos bispos e presbíteros proporcionar aos fiéis à oportunidade de formar adequadamente a sua consciência e o seu discernimento moral, bem como a oportunidade da confissão individual periódica.
124. A comunhão na mão deve manifestar, tanto como a comunhão recebida na boca, o respeito pela presença real de Cristo na Eucaristia. [...] Jamais se obrigará algum fiel a receber a comunhão na mão. O fiel é livre para recebê‐la na mão ou na boca (cf. Diretório da Liturgia – CNBB – 2011 – n. 13.7).
125. É recomendável que, estando a comunidade devidamente formada, a comunhão seja distribuída nas duas espécies, especialmente aos domingos, porque essa forma de comungar “manifesta mais perfeitamente o sinal do banquete eucarístico e exprime de modo mais claro a vontade divina de realizar a nova e eterna Aliança no Sangue do Senhor” (cf. Diretório da Liturgia – CNBB – 2011 – n. 13.6).
126. “O Bispo diocesano pode baixar normas a respeito da Comunhão sob as duas espécies para a sua diocese. Quanto ao modo de realizar a distribuição, as Conferências Episcopais podem baixar normas que devem ser reconhecidas pela Santa Sé” (idem). O modo mais comum é a comunhão por intinção.
127. Evite‐se que os fiéis tomem por si mesmos a sagrada comunhão, pois “o gesto da entrega da comunhão eucarística é carregado de simbolismo. Ninguém se apropria do corpo e sangue do Senhor. É ele que se entrega a nós” (cf. Diretório da Liturgia – CNBB – 2011 –, n. 13.5).
128. “Quem vai receber a santíssima Eucaristia abstenha‐se de ingerir qualquer comida ou bebida, excetuando‐se somente água e remédio, no espaço de, ao menos, uma hora antes da sagrada comunhão”. No caso de ingestão de bebida alcoólica o jejum seja de pelo menos três horas antes da sagrada comunhão. Contudo, “pessoas idosas e doentes, bem como as que cuidam delas, podem receber a santíssima Eucaristia, mesmo que tenham tomado alguma coisa na hora que a antecede” (cf. C.D.C. Cân. 919).

ADMINISTRAÇÃO DA SANTÍSSIMA EUCARISTIA ÀS CRIANÇAS
129. Para que recebam a santíssima eucaristia, as crianças devem ter suficiente conhecimento e cuidadosa preparação, de modo que possam compreender o mistério de Cristo, de acordo com sua capacidade, e receber o Corpo do Senhor com fé e devoção (cf. C.D.C. Cân. 913, §1).
130. Antes de receberem a eucaristia, as crianças se confessarão individualmente. Para que o primeiro contato com o confessor seja realizado em clima de confiança, o confessor deverá encontrar o tempo necessário para acolher e escutar com atenção e carinho cada criança. É recomendável que se faça uma celebração para dar ênfase a este momento de reconciliação, cujo sentido profundo se encontra na morte e ressurreição do Senhor.

PREPARAÇÃO DAS CRIANÇAS PARA A EUCARISTIA
131. É responsabilidade do pároco evitar que recebam a eucaristia crianças que não estejam devidamente preparadas e para isso dispostas (cf. C.D.C. Cân. 914). Os párocos, enquanto educadores da fé (PO n. 6), não descuidarão de uma atividade catequética bem estruturada e bem orientada (CT n. 65). Cuidarão da escolha de catequistas preparados e de sua formação esmerada e permanente.
132. Preparar as crianças para a vida eucarística é dever, também e em primeiro lugar, dos pais ou responsáveis. Deve ser estimulada a sua participação no processo catequético. Uma vez que a família é fundamental para a vivência das crianças, também no aspecto religioso, procure‐se encontrar um modo de motivar os pais a acompanhar os filhos no seu processo de fé e iniciação eucarística, através de informações, formação específica e retiros. Seja oferecida aos pais a oportunidade de participar de pelo menos um dia de retiro de evangelização e das celebrações da penitência e adoração eucarística. Contudo, para as crianças com pais em situações irregulares, ou que não frequentam a Igreja, a equipe e o pároco devem, com bom senso e caridade pastoral, buscar soluções para tais situações. Sem negligenciar ou enrijecer, devem encontrar possíveis soluções para cada situação em particular.
133. A catequese de preparação para a eucaristia não deve ser considerada de forma isolada, mas integrada ao contexto da iniciação cristã como um todo e inserida num processo de formação contínua: “A catequese não deve ser só ocasional, reduzida a momentos prévios aos sacramentos ou à iniciação cristã, mas, sim, um itinerário catequético permanente” (DAp 298). Mais do que preparar para a “primeira” eucaristia, ela deve formar para a iniciação à vida eucarística, a fim de que, “reunidos pelo Espírito num só corpo, nos tornemos em Cristo um sacrifício vivo”, para o louvor da glória de Deus (Oração Eucarística IV).
134. Dentro do processo de formação catequética as crianças deverão receber uma sólida formação sobre o Sacramento da Reconciliação. Haja por parte dos párocos certa proximidade e familiaridade com as crianças da catequese, para que o primeiro contato com o confessor não seja de medo e sim de experiência da paternidade e da misericórdia de Deus.
135. O processo de formação catequética deve ter inspiração catecumenal, ou seja, partir de uma experiência pessoal e profunda com Cristo através do anúncio querigmático, para uma caminhada gradual de discipulado ao longo da qual o catequizando (aqueles que já receberam o batismo) ou o catecúmeno (aquele que se prepara para receber o batismo) vai aprofundando sua fé e se fortalecendo para a missão de ser Igreja presente no mundo: “Sentimos a urgência de desenvolver em nossas comunidades um processo de iniciação na vida cristã que comece pelo querigma e que, guiado pela Palavra de Deus, conduza a um encontro pessoal, cada vez maior, com Jesus Cristo, perfeito Deus e perfeito homem, experimentado como plenitude da humanidade e que leve à conversão, ao seguimento em uma comunidade eclesial e a um amadurecimento de fé na prática dos sacramentos, do
serviço e da missão” (DAp n. 289).
136. Dentro do conjunto do processo catequético, a preparação imediata para a eucaristia introduz as crianças de modo orgânico no mistério da Páscoa, na ceia eucarística e na compreensão do lugar central que esta ocupa na vida da Igreja e na economia da salvação (cf. CT n. 37).
137. A adequada vivência da renovação pascal supõe a fase penitencial da quaresma, momento propício para uma profunda conscientização sobre o sentido do sacramento da reconciliação.
138. “A vida cristã em comunidade não se improvisa, é preciso educar para ela com cuidado.” (DGC n. 86a). Além de buscar a comunhão em nível paroquial e diocesano, a catequese deve ter como ponto fundamental a fidelidade à Igreja como um todo, em seu magistério oficial centrado nas orientações do Papa. “Todo aquele que catequiza sabe que a fidelidade a Jesus Cristo anda indissoluvelmente unida à fidelidade à Igreja; que ele, com seu trabalho, está continuamente a edificar a comunidade e a transmitir a imagem da Igreja; que deve fazer isto em união com os Bispos e com a Missão recebida deles.” (DPb n. 99).
139. A Catequese deve formar nos catequizandos a consciência de “ser Igreja”, ser parte do Povo de Deus, membros do único Corpo de Cristo, ligados a todos os outros membros pela filiação comum ao mesmo Pai e pela união com Cristo, a cabeça da Igreja, visivelmente representada pela colegialidade dos bispos em comunhão com o Papa, realizando a unidade na diversidade. Esse é o desejo de Jesus: “Que sejam perfeitos na unidade, para que o mundo creia que tu me enviaste.” (Jo 17,23).
140. A metodologia adotada, sem deixar de ser querigmática, deve ter em conta as modernas orientações da pedagogia, utilizando linguagem acessível às crianças e recursos didáticos apropriados para explicitar a fé e motivar na criança o seguimento de Jesus e a inserção na vida da Igreja.
141. Na Catequese, não se falará em “aula” ou em “ensino religioso”, mas sim em “encontros”, nos quais o catequizando, além da formação doutrinária e da preparação específica para determinado sacramento, deve receber também uma formação humana e cristã integral, que o capacite a viver e atuar como cristão, testemunha do Evangelho e agente de transformação nos diversos ambientes de que participa.
142. A catequese de preparação à Eucaristia não seja inferior a três anos, podendo, por razões pastorais, iniciar‐se com uma pré‐catequese, com metodologia própria.
143. Mais importante do que estipular uma idade para a recepção dos sacramentos, é garantir a educação da fé, a iniciação à vida cristã, a formação do cristão comprometido com os valores evangélicos. “A recepção do sacramento é uma decorrência da caminhada da fé e da vida comunitária” (DNC n. 312b). “Por isso, compete a cada Igreja particular, com a ajuda das Conferências Episcopais, estabelecer um processo catequético orgânico e progressivo que se estenda por toda a vida, desde a infância até a terceira idade” (DAp n. 298). “Antecipar a idade para a recepção dos sacramentos pode ser, para muitos, antecipar a fragilidade da fé no cotidiano da vida e o distanciamento da vida da comunidade” (DNC n. 313).
144. A preparação deverá ser feita, como regra geral, na paróquia ou comunidade em que os pais participam. Para que seja realizada em colégios e centros comunitários, consulte‐se o bispo diocesano e, mediante sua autorização, estejam atentos às orientações da diocese quanto ao tempo de duração, ao itinerário e ao conteúdo, em comunhão com a paróquia local, que fará o devido registro.
145. As crianças, após receberem a Primeira Eucaristia, devem receber continuidade de catequese, em grupos de perseverança, de forma que continuem participando da vida litúrgica e das atividades paroquiais. Nesses grupos recebam uma catequese mistagógica que desenvolva neles o sentido e o desejo de continuar alimentando a vida cristã pelos Sacramentos da Igreja (cf. DAp n. 298).
146. As Paróquias estejam particularmente atentas às crianças que, em idade escolar e de catequese, ao buscar a Primeira Comunhão Eucarística pedem também o seu batismo. Qualquer que seja o motivo que levou os pais a retardar o pedido de batismo a partir dos 07 anos, faz com que essas crianças só sejam batizadas depois de receberem uma preparação adequada, isto é, um “pré‐catecumenato” que corresponde ao tempo de catequese.

A CELEBRAÇÃO DA PRIMEIRA EUCARISTIA
147. A primeira eucaristia será celebrada festivamente, e, se possível, dentro do tempo Pascal, para enfatizar a centralidade do mistério da Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor e para evitar o risco de comparar a admissão à eucaristia com um “certificado de conclusão de curso”, como ocorre quando ela é celebrada perto do encerramento do ano escolar.
148. É recomendável o uso de vestes simples, dignas e decentes, que respeitem a dignidade do sacramento, evitando gastos inúteis e desigualdade entre os comungantes.
149. Seja dada a devida honra ao momento da Renovação das Promessas Batismais, justamente para enfatizar a unidade entre os sacramentos de iniciação, e, ao mesmo tempo, levar pais e padrinhos a reassumir com maior ardor o sim oferecido junto a Pia Batismal de seus filhos e afilhados, para que continuem acompanhando o catequizando no caminho do ser Igreja.
150. Os pais sejam envolvidos e motivados a participar da preparação e da celebração, conforme a programação da paróquia, e o pároco cuide de acolher a todos com caridade e alegria, sem gerar qualquer tipo de distinção ou julgamento.
151. Haja uma reunião antecipada com os profissionais de fotografia e filmagem, conduzida com espírito fraterno, de modo que não interfiram no andamento da celebração. Os próprios pais, familiares e amigos tenham profundo respeito pelo momento sagrado vivido por quem vai comungar sem assediar com câmeras, celulares etc.

PREPARAÇÃO DE ADULTOS PARA A PRIMEIRA EUCARISTIA
152. A partir do Concílio Vaticano II, a Igreja vem dedicando especial empenho ao processo de formação na fé, redirecionando as energias da catequese para o mundo dos adultos e tentando restabelecer o antigo processo de catecumenato. A catequese volta a priorizar os adultos e recupera o caráter de formação global, permanente e abrangente que visa formar cristãos autênticos, capazes de viver sua fé não apenas como um acessório, um título, mas sim como uma forma de compreender e viver a existência como um todo. “O primeiro Diretório Catequético Geral (1971), fruto do Concílio, já propunha: “Os pastores lembrem‐se de que a catequese de adultos, visando a pessoas capazes de uma adesão plenamente responsável, deve ser considerada como a principal forma de catequese, à qual todas as outras, embora sempre necessárias, de certa maneira são ordenadas” (Com adultos, Catequese
Adulta, 137).
153. Na catequese com adultos, mais ainda que na das crianças e jovens, os catequizandos “não devem ser considerados simples destinatários, mas interlocutores de nossa proposta de fé, sujeitos ativos, conscientes e corresponsáveis, e não puros receptores silenciosos e passivos. É uma catequese feita de partilha de saberes, experiências e iniciativas, em que ambos os lados (catequistas e catequizandos) criam laços, buscam, ensinam, aprendem e vivenciam a vida cristã” (Com adultos, Catequese Adulta, 150).
154. Para evitar qualquer confusão entre o catecumenato adulto e o processo catequético permanente que se deve iniciar na infância, recomendamos estipular, para o ingresso na catequese de adultos, a idade mínima de 18 anos. Quando possível, é também conveniente realizar separadamente a formação dos adultos que buscam aprofundar sua caminhada de vida cristã, daqueles que apenas precisam regularizar sua condição sacramental, sem serem motivados por um real comprometimento de vida.
155. A catequese com adultos, necessária em cada paróquia e preferivelmente dada pelo pároco, destinada a pessoas que despertam para a fé e ainda não receberam algum sacramento da iniciação cristã, tenha a duração de, pelo menos, seis meses efetivos.
156. Para preservar a unidade entre os sacramentos da Iniciação, o adulto, caso não tenha sido ainda crismado, seja preparado também para receber o sacramento da crisma.
157. É louvável seguir o ano litúrgico na preparação dos adultos para receberem a eucaristia, conforme o Ritual de Iniciação Cristã de Adultos ‐ RICA, com toda a sua riqueza celebrativa que favorece a experiência pessoal da fé: “Recordamos que o caminho de formação do cristão, na tradição mais antiga da Igreja, ’teve sempre um caráter de experiência, na qual era determinante o encontro vivo e persuasivo com Cristo, anunciado por autênticas testemunhas’ (SC n. 64). Trata‐se de uma experiência que introduz o cristão numa profunda e feliz celebração dos sacramentos, com toda a riqueza de seus sinais. Desse modo, a vida vem se transformando progressivamente pelos santos mistérios que se celebram, capacitando o cristão a transformar o mundo. Isto é o que se chama “catequese mistagógica” (DAp n. 290).
158. Os adultos que se preparam para a primeira eucaristia devem participar da comunidade e nela percorrer um itinerário catequético próprio, de tal modo que possam testemunhar com ardor a fé assumida, na edificação do reino (cf. DGC n. 44). Isso inclui “uma participação ativa, consciente, autêntica na liturgia da Igreja” e uma conveniente educação “para a oração, a ação de graças, a penitência, o sentido comunitário, uma compreensão adequada dos símbolos...” (DGC n. 25).

O CATEQUISTA – MISSÃO E FORMAÇÃO
159. Numa visão geral, o catequista se equipara ao evangelizador ou missionário. São catequistas todas as pessoas que anunciam a outras a mensagem cristã, levando‐as a conhecer a Deus e a seguir os passos de Jesus. Esse anúncio pode ser feito de diversas formas, sendo o exemplo pessoal a mais essencial e eficaz. Todo cristão autêntico é catequista, pois sua vida dá testemunho de Cristo: “O testemunho é fundamental. A Palavra de Deus é eficaz por si mesma, mas adquire sentido concreto quando se torna realidade na pessoa que anuncia” (João Paulo II, homilia em Porto Alegre, 05/07/80).
160. A vocação catequética “é uma realização da vocação batismal. Pelo batismo, todo cristão é mergulhado em Jesus Cristo, participante de sua missão profética: proclamar o Reino de Deus. Pela Crisma, o catequista é enviado para assumir sua missão de dar testemunho da Palavra com força e coragem.” (Estudo da CNBB n. 59: “Formação de Catequistas”, n. 44).
161. Os pais são os primeiros catequistas dos filhos. “Nos primeiros anos da vida da criança, lançam‐se a base e o fundamento do seu futuro. Nessa idade, Deus passa de modo particular através da intervenção da família. Por isso mesmo, devem os pais compreender a importância de sua missão a esse respeito. Em virtude do Batismo e do Matrimônio, são eles os primeiros catequistas de seus filhos. De fato, educar é continuar o ato de geração.” (João Paulo II, Homilia em Porto Alegre, 05/07/80, nº 18).
162. Alguns membros da comunidade são chamados a uma missão catequética mais específica, escolhidos, formados e enviados para um trabalho sistemático de formação na fé dirigido a crianças, jovens ou adultos. São essas pessoas que, normalmente, recebem o nome de “catequistas”. Mas sua missão, embora específica, decorre também da própria vocação cristã comum a todos os batizados, e seu trabalho é parte integrante da vida cristã como um todo, devendo por isso realizar‐se em harmonia e em ação conjunta com os demais setores da vida eclesial.
163. O Catequista deve ser uma pessoa que tenha tido uma experiência pessoal de encontro com Jesus, de fé madura e esclarecida, de vivência espiritual profunda e oração frequente, que manifeste docilidade à ação do Espírito Santo e um sincero interesse pelo Reino de Deus, que se deixe formar constantemente no seguimento de Jesus Cristo em comunhão com a Igreja, na escuta atenta e orante da Palavra de Deus, na vivência dos valores e do mistério cristão na práxis da Liturgia e nos Sacramentos, com espírito de serviço e de comunhão. Deve ter recebido os sacramentos de iniciação e dar um testemunho real de vivência cristã pessoal e comunitária, além de manifestar vocação missionária e boa capacidade de comunicação.
164. Além de ser pessoa de fé, é indispensável que o catequista seja também pessoa psicologicamente equilibrada. Portanto, na formação dos catequistas, um dos objetivos é promover o desenvolvimento de sua personalidade humana, seu crescimento e amadurecimento como pessoa, incluindo o equilíbrio emocional, a educação da afetividade, a valorização de si mesmo e dos outros, bem como o aprofundamento das motivações que o chamam ao trabalho catequético.
165. A formação dos catequistas deve também desenvolver e aprimorar suas qualidades pedagógicas, sua capacidade de transmitir a outros, com fidelidade e eficácia, a fé e os ensinamentos da Igreja, que ele próprio professa e vive.
166. Assim como a formação cristã nunca está completa, mas é um processo permanente que deve ser continuamente aprofundado e renovado, também o catequista nunca está “pronto”, está sempre em processo de formação. É indispensável investir constante e intensamente na formação dos novos catequistas e na reciclagem dos que já estão atuando, valendo‐se de todos os meios materiais e espirituais para capacitá‐los e fortificá‐los como cristãos autênticos, capazes de transmitir a fé, tanto por seu modo de ser e de viver quanto por suas palavras.
167. O processo de formação permanente requer:
a) Participação efetiva na comunidade;
b) Participação ativa nas reuniões, assembleias, encontros de formação ou de avaliação, cursos de atualização, treinamentos e demais atividades promovidas pela paróquia ou pela diocese;
c) Contato, apoio e acompanhamento contínuo do pároco e dos coordenadores da catequese;
d) Empenho do catequista em sua formação pessoal, por meio da oração e leitura da Palavra de Deus, dos santos Padres, da vida dos santos, estudo dos documentos da Igreja e outras leituras que o ajudem, não só a viver melhor sua fé, mas também a entender melhor o mundo, o homem e sua realidade.
e) Revisão e renovação constante dos métodos catequéticos, para estar sempre em sintonia com a caminhada da Igreja e com as novas necessidades e situações que vão surgindo.
168. A formação dos catequistas deve proporcionar um conhecimento sistemático, orgânico e progressivo da mensagem cristã, colocando no centro a Palavra de Deus, a pessoa e o mistério de Cristo, a comunhão e o serviço como caráter distintivo da Igreja.
Esse conteúdo abrange:
a) O conhecimento, compreensão e interpretação atualizada das diversas etapas da História da Salvação, ou seja, a capacidade de ler, interpretar e aplicar na vida concreta os temas fundamentais da Sagrada Escritura.
b) A compreensão da Igreja como depositária e transmissora da fé, sinal de salvação e comunidade de servidores, num mundo que precisa ser transformado pela evangelização.
c) A capacidade de compreender e transmitir as verdades essenciais da fé, expressas no símbolo apostólico e na doutrina em geral, incluindo também as suas aplicações na esfera social e moral, ou seja, fazer a passagem da doutrina para a vida, e promover uma leitura cristã dos acontecimentos pessoais e comunitários.
d) A fidelidade à vocação humana como imagem e semelhança de Deus, destinado, por graça, a entrar em amizade com Ele e comungar de sua vida. Isso inclui a consciência da dignidade inviolável da pessoa humana e a rejeição de qualquer visão ou sistema de pensamento que atente contra essa dignidade, sejam eles de caráter científico, psicológico, político, econômico ou mesmo religioso. Ex: aborto, eutanásia, divórcio, experiências genéticas, controle de natalidade imposto por políticas econômicas, políticas de repressão religiosa, etc.
169. Os catequistas nunca devem atuar isoladamente, mas sempre em sintonia com os demais, num trabalho de equipe. Também a formação dos catequistas deve ser feita em conjunto. O grupo é fonte de vida e de crescimento na fé e na esperança, ajuda a desfazer os medos, dúvidas e inseguranças e a adquirir confiança e coragem, por meio “do diálogo, da comunhão fraterna, da partilha de problemas e da busca de soluções, das preocupações e das alegrias da atividade catequética” (Formação de Catequistas, n. 72). A formação em conjunto proporciona “oportunidades para a oração em comum, a reflexão, a avaliação das tarefas realizadas, o planejamento e a preparação dos trabalhos futuros” (Idem, n. 74).
170. Como meio concreto de valorizar a missão do catequista e dinamizar a sua formação, seja considerada com carinho a proposta de instituir, em nossas dioceses, o “ministério do catequista”, de forma semelhante àquela adotada para os ministros extraordinários da comunhão eucarística. Na prática, isso significa:
a) que todo catequista deverá, necessariamente, passar por um processo sistemático de formação teológica e metodológica (escola catequética), antes de iniciar suas atividades. Após a conclusão da formação, será investido na função de catequista, preferencialmente pelo bispo, em celebração solene, na presença de toda a comunidade paroquial.
b) que essa investidura deverá ser renovada a cada dois anos, mediante o desejo do catequista e a aprovação do pároco. Catequistas não investidos não serão autorizados a exercer o ministério.
c) que cada diocese – e, se possível, cada paróquia – deverá possuir a sua própria escola catequética, com currículo aprovado pelo Bispo diocesano e controle de aproveitamento e frequência.
d) que, a cada ano, os catequistas passarão por novo processo formativo (encontros de reciclagem), que não deve ser confundido com a formação inicial (escola catequética).
e) A diocese de Piracicaba tem o firme propósito de se encaminhar para a instituição do “ministro do catequista”. Para isso, propõe que os candidatos a esse ministério participem da Escola de Agentes de Pastoral. Que a investidura do catequista aconteça no termino do primeiro ano. Que o mesmo mantenha o compromisso de terminar o curso de agentes, de participar de todas as atividades formativas promovidas pela paróquia, região pastoral e secretariado diocesano de catequese. Quanto ao período de exercício do ministério seja no máximo de quatro anos renováveis.
171. Cada diocese se organize no sentido de tornar viável essa proposta. Apresentamos a seguir uma sugestão de conteúdos para escola catequética que poderá ser organizada em módulos, cada um com duração de pelo menos trinta horas/aula. Conteúdos: Primeiro módulo: O Anúncio Querigmático e a História da Salvação: Pneumatologia e Trindade. Segundo módulo: História da Igreja I: Desenvolvimento da doutrina, estudo do Credo, documentos da Igreja, Vaticano II. Terceiro módulo: História da Igreja II: Desenvolvimento da Liturgia e dos Sacramentos – Mistagogia. Quarto módulo: História da Igreja III: Desenvolvimento da Espiritualidade: oração, devoções, estudo do Pai‐Nosso, Mariologia.
172. A Diocese de Piracicaba irá contemplar a sugestão do conteúdo acima a partir da Escola de Agentes de pastoral que será reorganizada e implantada nas regiões pastorais.

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