23/07/2020 - LITURGIA E REFLEXÃO DIÁRIA

XVI SEMANA DO TEMPO COMUM (Verde – Ofício do Dia)

Antífona de entrada
É Deus quem me ajuda, é o Senhor quem defende a minha vida. Senhor, de todo o coração hei de vos oferecer o sacrifício e dar graças ao vosso nome, porque sois bom (Sl 53,6.8).
Oração do Dia
Ó Deus, sede generoso para com os vossos filhos e filhas e multiplicai em nós os dons da vossa graça, para que, repletos de fé, esperança e caridade, guardemos fielmente os vossos mandamentos. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

1a Leitura - Jeremias 2,1-3.7-8.12-13
Leitura do livro do Profeta Jeremias.
1 A palavra do Senhor foi-me dirigida nestes termos: 2“Vai e clama aos ouvidos de Jerusalém estas palavras - oráculo do Senhor: Lembro-me de tua afeição quando eras jovem, de teu amor de noivado, no tempo em que me seguias ao deserto, à terra sem sementeiras. 3Era, então, Israel propriedade sagrada do Senhor. As primícias de sua colheita, todos quantos dela comiam, carregavam-lhe a culpa, e o mal lhes advinha” - oráculo do Senhor. 7“Encaminhei-vos a uma terra de vergéis, para lhe comerdes os frutos e saborear-lhe os bens; tão logo chegastes, maculastes-me a terra; e transformastes minha herança em lugar que me causa horror. 8Não haviam dito os sacerdotes: Onde está o Senhor? Os depositários da lei não me conheceram; revoltaram-se contra mim os pastores, e os profetas proferiram oráculos em nome de Baal. Puseram-se a seguir aqueles (deuses) que nenhum socorro lhes dão. 12Ó céus, pasmai, tremei de espanto e horror” - oráculo do Senhor. 13“Porque meu povo cometeu uma dupla perversidade: abandonou-me, a mim, fonte de água viva, para cavar cisternas, cisternas fendidas que não retêm a água”.
Palavra do Senhor.

Salmo - 35/36

Em vós está a fonte da vida, ó Senhor!

Vosso amor chega aos céus, ó Senhor,
Chega às nuvens a vossa verdade.
Como as altas montanhas eternas
É a vossa justiça, Senhor.


Quão preciosa é, Senhor, vossa graça!
Eis que os filhos dos homens se abrigam
Sob a sombra das asas de Deus.
Na abundância de vossa morada,
Eles vêm saciar-se de bens.
Vós lhes dais de beber água viva
Na torrente das vossas delícias.


Pois em vós está a fonte da vida,
E em vossa luz contemplamos a luz.
Conservai aos fiéis vossa graça,
E aos retos, a vossa justiça!



Evangelho - Mateus 13,10-17
Aleluia, aleluia, aleluia.
Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, pois revelaste os mistérios do teu reino aos pequeninos, escondendo-os aos doutores! (Mt 11,25).
 
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
13 10 Os discípulos aproximaram-se dele, então, para dizer-lhe: “Por que lhes falas em parábolas?” 11 Respondeu Jesus: “Porque a vós é dado compreender os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não. 12 Ao que tem, se lhe dará e terá em abundância, mas ao que não tem será tirado até mesmo o que tem. 13 Eis por que lhes falo em parábolas: para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não ouçam nem compreendam. 14 Assim se cumpre para eles o que foi dito pelo profeta Isaías: ‘Ouvireis com vossos ouvidos e não entendereis, olhareis com vossos olhos e não vereis, 15 porque o coração deste povo se endureceu: taparam os seus ouvidos e fecharam os seus olhos, para que seus olhos não vejam e seus ouvidos não ouçam, nem seu coração compreenda; para que não se convertam e eu os sare’. 16 Mas, quanto a vós, bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem! Ditosos os vossos ouvidos, porque ouvem! 17 Eu vos declaro, em verdade: muitos profetas e justos desejaram ver o que vedes e não o viram, ouvir o que ouvis e não ouviram.
Palavra da Salvação.

Oração Sobre as Oferendas
Ó Deus, que no sacrifício da cruz, único e perfeito, levastes á plenitude os sacrifícios da antiga aliança, santificai, como o de Abel, o nosso sacrifício, para que os dons que cada um trouxe em vossa honra possam servir para a salvação de todos. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona de Comunhão
O Senhor bom e clemente nos deixou a lembrança de suas grandes maravilhas. Ele dá o alimento aos que o temem (Sl 110,4s).

Depois da Comunhão
Ó Deus, permanecei junto ao povo que iniciastes nos sacramentos do vosso reino, para que, despojando-nos do velho homem, passemos a uma vida nova. Por Cristo, nosso Senhor.

Reflexão sobre o Evangelho

Por Padre Roger Araújo - Sacerdote da Comunidade Canção Nova

Unamos o nosso coração à graça de Deus

“Porque o coração deste povo se tornou insensível. Eles ouviram com má vontade e fecharam seus olhos, para não ver com os olhos nem ouvir com os ouvidos, nem compreender com o coração” (Mateus 13,15).

Jesus, hoje, está dizendo aos Seus discípulos qual o motivo de Ele explicar o Reino dos Céus em parábolas. É até estranho Ele dizer que aqueles que não veem, não enxergam mesmo, e aqueles que não escutam, não compreendem (cf. Mateus 13,13). Porque, na verdade, é assim. Aqueles que, de fato, se abrem para acolher o Reino de Deus em Jesus, os olhos irão se abrir para vê-Lo, os ouvidos irão se abrir para ouvi-Lo e o coração há de se dilatar para acolhê-Lo. Então, quem tem, terá mais ainda, mas quem não tem, até o pouco que tem deixará de ter, porque simplesmente fechou o coração.

E Jesus está dizendo: “O coração deste povo é insensível”. Não podemos nos tornar insensíveis à graça de Deus. E não é só a sensibilidade do sentimentalismo. Tomemos cuidado, porque o sentimentalismo é um engano! Aqui, é a sensibilidade com a graça e com aquilo que é de Deus.

No meio de tantos afazeres, preocupações e ocupações que temos na vida, vamos, aos poucos, perdendo a sensibilidade da graça, e o que é pior: vamos ter má vontade. Quantas pessoas têm má vontade para ir à Missa, para fazer as orações, para meditar a Palavra de Deus. À medida que a má vontade e a insensibilidade espiritual tomam conta de nós, os olhos vão se fechando, o olhar da graça vai se perdendo, os ouvidos vão travando, não conseguimos mais ouvir a Palavra de Deus, o coração se fecha, não nos convertemos e não tocamos na graça.

Precisamos, em meio às frustrações e decepções, nos tornar mais unidos e ligados à graça de Deus

Nós nos acomodamos porque somos da Igreja há tanto tempo, porque já lemos toda a Palavra de Deus, porque já rezamos bastante – mas, infelizmente, não compreendemos nada –, porque a insensibilidade vai tomando conta de nós. Vamos nos acostumando com o comum, e não vamos nos sensibilizando para aquilo que a Palavra pode e deve realizar em nossa vida.   

Cuidemos de nossas emoções e dos nossos sentimentos, porque se eles são conduzidos pelas decepções, mágoas ou frustrações que muitas vezes experimentamos na vida, isso vai nos tornando insensíveis para a graça, quando, na verdade, é contrário: precisamos, em meio às frustrações e decepções, nos tornar mais unidos e ligados à graça de Deus.

É aí que precisamos ser cada vez mais unidos a Jesus e à graça, mas se nos fazemos de vítima, de coitado, se nos colocamos como aquele que diz: “Religião não vale”. “A Igreja é isso”. “O outro é aquilo”… Perdemos ou estamos perdendo a sensibilidade para o essencial, e por isso a Palavra não tem tido força nem ressonância no nosso coração.

O problema não é a Palavra, não é Deus, não é Igreja nem são as situações, o problema somos nós que nos deixamos focar naquilo que é a nossa vontade ou nos deixamos levar pelas decepções, mágoas, e perdemos a sensibilidade religiosa.

Trabalhemos para sermos cada vez mais sensíveis ao Reino dos Céus, para que a piedade divina, para que todos aqueles sentimentos religiosos, verdadeiros e autênticos, que um dia foram depositados em nosso coração, sejam ressuscitados pelo poder da graça de Deus, porque, no final, tudo passa, e é a nossa união com Deus que prevalece.

Deus abençoe você!   


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