O que é Quarta-feira de Cinzas?
A Quarta-feira de Cinzas foi instituída há muito tempo na Igreja e celebrá-la não é um mandamento da Bíblia mas, é uma oportunidade
para lembrar algumas verdades bíblicas, assim, esse dia que marca o início da Quaresma,
tempo de penitência e oração mais intensa.
As cinzas bentas que os Cristãos Católicos
recebem neste dia, sobre as cabeças - são um símbolo para a reflexão sobre o dever da conversão, da mudança de
vida, recordando a passageira, transitória, efêmera fragilidade da vida humana,
sujeita à morte. Nos fazem lembrar que
vamos morrer, que somos pó e ao pó da terra voltaremos (cf. Gn 3, 19), para
que nosso corpo seja refeito por Deus de
maneira gloriosa, para não mais perecer.
A intenção desse sacramental
é levar-nos ao arrependimento dos pecados (decidir mudar de vida), marcando o início da Quaresma, é
fazer-nos lembrar de que não podemos nos apegar a esta vida, achando que a
felicidade plena possa ser construída aqui. É uma ilusão perigosa. A morada
definitiva é o céu.
Quando
pecamos, devemos nos arrepender e pedir perdão a Deus. Assim, Deus nos perdoa e ajuda a viver de maneira melhor (1 João 1:9).
A maioria das pessoas, mesmo os cristãos, passa a vida lutando
para “construir o Céu na Terra”. É um grande engano! Jamais construiremos o Céu na Terra, jamais a felicidade será
perfeita no lugar que o pecado transformou num vale de lágrimas. Devemos, sim,
lutar para deixar a vida na Terra cada vez melhor, mas sem a ilusão de que
ficaremos sempre aqui.
Então, qual o
sentido da Quarta-feira de Cinzas?
Deus dispôs tudo de modo que nada fosse sem fim nesta vida.
Porém, por causa do
pecado, todos estamos destinados a morrer (Romanos 6:23). Nosso tempo na terra
é curto e a vida passa em um instante. Por causa da morte, as coisas desse
mundo são transitórias e não podemos pôr nossa confiança nelas, porque falham.
A cada dia de nossa vida, temos de renovar uma série de
procedimentos: dormir, tomar banho, alimentar-nos etc. Tudo é precário, nada é
duradouro, tudo deve ser repetido todos os dias. A própria manutenção da vida
depende do bater interminável do coração e do respirar contínuo dos pulmões.
Todo o organismo repete, sem cessar, suas operações para a vida se manter. Tudo
é transitório, nada é eterno. Toda criança se tornará um dia adulta e, depois,
idosa. Toda flor que se abre logo estará murcha; todo dia que nasce logo se
esvai; e assim tudo passa, tudo é transitório.
Compra-se uma camisa nova e, logo, já está surrada; compra-se um
carro novo e, logo, ele estará bastante rodado e vencido por novos modelos, e
assim por diante.
A marca da vida é a renovação. Tudo nasce, cresce, vive,
amadurece e morre. A razão profunda dessa realidade tão transitória é a lição
cotidiana que o Senhor nos quer dar de que esta vida é apenas uma passagem, um
aperfeiçoamento, em busca de uma vida duradoura, eterna e perene.
Em cada flor que murcha e em cada homem que falece, sinto Deus nos
dizer: “Não se prendam a esta vida transitória. Preparem-se para aquela que é
eterna, quando tudo será duradouro, e nada precisará ser renovado dia a dia.”
Isso nos mostra também que a vida está em nós, mas não é nossa.
Quando vemos uma bela rosa murchar, é como se ela estivesse nos dizendo que a
beleza está nela, mas não lhe pertence.
Ainda assim, mesmo com essa lição permanente que Deus nos dá,
muitos de nós somos levados a viver como aquele homem rico da parábola narrada
por Jesus. Ele abarrotou seus celeiros de víveres e disse à sua alma:
“Descansa, come, bebe e regala-te” (Lc 12,19b); ao que o Senhor lhe disse:
“Insensato! Nesta noite ainda exigirão de ti a tua alma” (Lc 12,20).
A efemeridade das coisas é
a maneira mais prática e constante encontrada por Deus para nos dizer, a cada
momento, que aquilo que não passa,
que não se esvai, que não morre, é aquilo de bom que fazemos para nós mesmos,
principalmente para os outros - AMAR COMO JESUS AMOU.
Os talentos multiplicados no dia a dia, a perfeição da alma
buscada na longa caminhada de uma vida
de meditação, de oração e piedade, essas são as coisas que não passam, que o vento do tempo não leva e que,
finalmente, vão nos abrir as portas da vida eterna e definitiva, quando “Deus
será tudo em todos” (cf. 1 Cor 15,28).
A transitoriedade de tudo o que está sob os nossos olhos deve nos
convencer de que só viveremos bem esta vida se a vivermos para os outros e para
Deus. São João Bosco dizia que “Deus nos fez para os outros”. Só o amor, a
caridade, o oposto do egoísmo, pode nos levar a compreender a verdadeira dimensão
da vida e a necessidade da efemeridade terrena.
E se a vida
fosse incorruptível?
Se a vida na Terra fosse incorruptível, muitos de nós jamais
pensaríamos em Deus e no Céu. Acontece que o Todo-poderoso tem para nós algo
mais excelente, aquela vida que levou São Paulo a exclamar:
“Coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração
humano imaginou (Is 64,4), tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles
que o amam” (1 Cor 2,9).
A corruptibilidade das coisas da vida deve nos convencer de que
Deus quer para nós uma vida muito melhor do que esta – uma vida junto d’Ele. E,
para tal, o Senhor não quer que nos acostumemos com esta [vida], mas que
busquemos a outra com alegria, onde não haverá mais sol, porque o próprio Deus
será a luz, nem haverá mais choro nem lágrimas.
Aqueles que não creem na eternidade jamais se conformarão com a
precariedade desta vida terrena, pois sempre sonharão com a construção do Céu
nesta Terra. Para os que creem a efemeridade tem sentido: a vida “não será
tirada, mas transformada”; o “corpo corruptível se revestirá da incorruptibilidade”
(cf 1Cor 15,54) em Jesus Cristo.
A expectativa
do Céu
Santa Teresinha não se cansava de exclamar:
“Tenho sede do Céu, dessa mansão bem-aventurada, onde se amará
Jesus sem restrições. Mas para lá chegar é preciso sofrer e chorar; pois bem!
Quero sofrer tudo o que aprouver a meu Bem Amado, quero deixar que Ele faça de
sua bolinha o que Ele quiser.”
São Paulo lembrou aos filipenses: “Nós somos cidadãos do Céu! É de
lá que também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele transformará
nosso corpo miserável, para que seja conforme o seu corpo glorioso, em virtude
do poder que tem de submeter a si toda a criatura” (Fl 3, 20-21).
A esperança do Céu e da Sua glória fazia o apóstolo dizer:
“Os olhos não viram nem ouvidos ouviram, nem o coração humano
imaginou (Is 64,4), o que Deus tem preparado para aqueles que o amam” (1 Cor
2,9).
Essa esperança lhe dava as forças necessárias para vencer as
tribulações: “Tenho para mim que os sofrimentos da vida presente não têm
proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada” (Rom 8,18).
Nossa vida somente faz sentido quando nos dedicamos a Deus.
Nossa vida somente faz sentido quando nos dedicamos a Deus.
Esse é o
sentido das cinzas!
Fonte: Felipe Aquino

Comentários
Postar um comentário