Os 10 mandamentos explicados ao homem de hoje
Durante
este Ano da Fé (2013), a Renovação no Espírito Santo apresentou uma releitura
dos 10 mandamentos por meio da iniciativa “10
praças para 10 mandamentos”, com dez grandes eventos (cada um deles
dedicado a um preceito) de oração, louvor, música, dança e testemunhos de fé,
nas principais praças de dez cidades italianas.
Esta
é a sua interessante “tradução” das Tábuas da Lei à linguagem atual, para
mostrar ao homem de hoje o caminho de liberdade traçado nestes dez preceitos:
Eu
sou o Senhor teu Deus
A
crise do homem moderno é crise de Deus, eclipse de Deus, ignorância de Deus,
aversão a Deus. A esperança dos homens é decepcionada quando buscam respostas
fora de Deus. O homem subordina sua vida, seu futuro, tudo o que possui de bom
a outros “senhores”. Longa seria a lista de todos os “falsos senhorios”
propostos pelo espírito do mundo, oposto ao Espírito de Deus.
Não
terás outro Deus fora de mim
Os
ídolos parecem desfrutar de uma saúde excelente, enquanto Deus parece suscitar
menos fascínio no homem moderno. No entanto, são “ídolos mudos”, que não podem
salvar o coração do homem em sua mais recôndita necessidade de amar e ser
amado. Quantas imitações, quantas distorções do verdadeiro rosto de Deus!
Faz-se guerra em nome de Deus, mas Deus é uno; se é “uno”, não pode estar em
conflito, em perene conflito entre gerações e povos.
Não
invocarás o nome de Deus em vão
De
quantas maneiras se insulta Deus, se blasfema, se altera sua verdadeira
essência! É fácil usar o nome de Deus adaptando-o às próprias necessidades. Há
muitos falsos profetas que abusam dos outros, especialmente dos “fracos”, em
nome de Deus. Há crentes que dizem se salvar sozinhos, dando a Deus o nome de
“misericórdia”, mas esquecendo que seu nome também é “verdade” e “justiça”.
Santificarás
as festas
A
festa e, portanto, o repouso do trabalho, é o espaço oferecido para a
intimidade com Deus. O tempo reservado à descoberta de si mesmo em relações de
verdadeira fraternidade com os outros. Assistimos à desnaturalização desta
verdade: a festa não alimenta mais a necessidade que o homem tem de Deus, mas o
faz esquecer disso, tornando-se cada vez mais sinônimo de consumismo, prazer,
aquisição e desfrute dos bens materiais.
Honrarás
teu pai e tua mãe
Os
filhos nascem de um pai e de uma mãe, não de doadores de esperma ou de barrigas
de aluguel, em nome de uma nova ética social. Quantos filhos órfãos, pela
paternidade negada ou rejeitada inclusive pelas próprias legislações humanas!
Como os filhos poderão honrar seus pais e mães se estes se mantêm “anônimos”?
Quem honra pai e mãe respeita sua própria história, as memórias familiares que
conferem identidade social.
Não
matarás
É
possível matar de muitas maneiras, não somente com armas; mata-se também com a
língua, com a ignorância, com o silêncio. Não matar significa também defender a
vida, sempre, e não somente quando se pode ou convém. A vida: em seu início, em
seu desenvolvimento, em seu final. A vida não pode ser mortificada. Em tempos
de crise, não se podem favorecer novos assassinos: os suicídios são muitas
vezes filhos de uma pobreza provocada ou de um bem-estar desenfreado que
desaparece de repente.
Não
cometerás atos impuros
Os
atos impuros também são cometidos por uma cultura obcecada, que faz da
liberação do sexo um dos seus maiores negócios, precisamente a partir da
degradação da dignidade do homem e da mulher. Tornar a prostituição mais
“decente” não a torna menos exploração do corpo; pelo contrário, cedo ou tarde,
inclusive a pedofilia será socialmente compatível com as “necessidades da
modernidade”. É impuro não conservar a unidade entre corpo e espírito,
violentar o espírito em nome do bem-estar corporal.
Não roubarás
O
furto é uma intenção má que está dentro de nós. Não se trata somente de não
roubar algo de uma pessoa, e sim de não roubar a pessoa em si, ou seja,
privá-la do seu tempo, da sua dignidade, do seu futuro, da justiça, da paz. É
preciso educar na generosidade de coração, experimentando a economia do dom, da
gratuidade. A raiz do “não roubar” também é o possuir: rouba-se porque não se
está satisfeito com o que se tem, invadido pelo desejo de ter e acumular.
Não levantarás falso testemunho
Também
o falso testemunho está dentro de nós como mentira, como abrandamento da
verdade. É uma atitude que se torna cultura, que se estabiliza no homem como
simulação, ficção, verossimilitude da realidade substituída pela ficção. Estar
do lado da verdade, defendê-la, é um ato de justiça e de amor a si mesmo e aos
outros.
Não desejarás a mulher do próximo
“A
mulher do outro”: parece um mandamento aos homens; mas hoje também significa “o
homem da outra”. A mulher e o homem não são uma coisa que se deseja, que
pertence a alguém como objeto. Quantos delitos passionais, quanta violência
doméstica, quanta discriminação do gênero feminino respondem a esta lógica
desumanizadora!
Não cobiçarás as coisas alheias
A
inveja se encontra na base deste e do anterior mandamento. É o mais “sociável”
dos vícios. A modernidade exaltou a cultura da inveja.
Nas sociedades civis avançadas, no Ocidente, o pressuposto da
democracia é a igualdade: “devo ter os mesmos direitos dos outros”. Mas isso
não significa sofrer do “complexo de ser idênticos”, ou seja, de possuir as
mesmas coisas que os outros, tornando-se escravo das coisas, empobrecendo-se,
endividando-se, enfermando-se por aquilo que se inveja e não se pode possuir.
Em
sua mensagem aos participantes da
iniciativa “10 praças para 10 mandamentos”, o Papa Francisco perguntou:
“Que sentido têm para nós estas Dez Palavras? Que dizem elas à nossa época,
agitada e confusa, que parece querer renunciar a Deus?”.
E
respondeu: “Os Dez Mandamentos são um dom de Deus. A palavra
‘mandamento’ não está na moda; ao homem de hoje evoca algo de negativo, a
vontade de alguém que impõe limites, que causa obstáculos à vida. E
infelizmente a história, também recente, é marcada por tiranias, ideologias e
lógicas que impuseram e oprimiram, que não procuraram o bem do homem, mas sim o
poder, o sucesso e o lucro”.
“No
entanto, os Dez Mandamentos derivam de um Deus que nos criou por
amor, de um Deus que estabeleceu uma aliança com a humanidade, de um Deus que
deseja só o bem do homem. Tenhamos confiança em Deus! Confiemos nele!”,
exclamou o Papa.

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