17/03/2022 - LITURGIA E REFLEXÃO DIÁRIA - Reconheça a presença de Jesus na vida do próximo

 

II SEMANA DA QUARESMA (Roxo – Ofício do Dia)

Antífona de Entrada

Provai-me, ó Deus, e conhecei meus pensamentos: vede se ando pela vereda do mal e conduzi-me no caminho da eternidade (Sl 138,23s).

Oração do dia

Ó Deus, que mamais e restaurais a inocência, orientai para vós os corações dos vossos filhos e filhas, para que, renovados, pelo vosso Espírito, sejamos firmes na fé e eficientes nas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Jeremias 17,5-10)

Leitura do livro do profeta Jeremias.

17 5 Eis o que diz o Senhor: “Maldito o homem que confia em outro homem, que da carne faz o seu apoio e cujo coração vive distante do Senhor!

6 Assemelha-se ao cardo da charneca e nem percebe a chegada do bom tempo, habitando o solo calcinado do deserto, terra salobra em que ninguém reside.

7 Bendito o homem que deposita a confiança no Senhor, e cuja esperança é o Senhor.

8 Assemelha-se à árvore plantada perto da água, que estende as raízes para o arroio; se vier o calor, ela não temerá, e sua folhagem continuará verdejante; não a inquieta a seca de um ano, pois ela continua a produzir frutos.

9 Nada mais ardiloso e irremediavelmente mau que o coração. Quem o poderá compreender?

10 Eu, porém, que sou o Senhor, sondo os corações e escruto os rins, a fim de recompensar a cada um segundo o seu comportamento e os frutos de suas ações”.

Palavra do Senhor.

Salmo Responsorial 1

É feliz quem a Deus se confia!

 

Feliz é todo aquele que não anda

conforme os conselhos dos perversos;

que não entra no caminho dos malvados

nem junto aos zombadores vai sentar-se;

mas encontra seu prazer na lei de Deus

e a medita, dia e noite, sem cessar.

 

Eis que ele é semelhante a uma árvore

que à beira da torrente está plantada;

ela sempre dá seus frutos a seu tempo

e jamais as suas folhas vão murchar.

Eis que tudo o que ele faz vai prosperar.

 

Mas bem outra é a sorte dos perversos.

Ao contrário, são iguais à palha seca

espalhada e dispersada pelo vento.

Pois Deus vigia o caminho dos eleitos,

mas a estrada dos malvados leva á morte.

Evangelho (Lucas 16,19-31)

Glória a Cristo, palavra eterna do Pai que é amor!

Felizes os que observam a palavra do Senhor, de reto coração; e que produzem muitos frutos, até o fim perseverantes! (Lc 8,15)

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas.

Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: 16 19 “Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho finíssimo, e que todos os dias se banqueteava e se regalava.

20 Havia também um mendigo, por nome Lázaro, todo coberto de chagas, que estava deitado à porta do rico.

21 Ele avidamente desejava matar a fome com as migalhas que caíam da mesa do rico. Até os cães iam lamber-lhe as chagas.

22 Ora, aconteceu morrer o mendigo e ser levado pelos anjos ao seio de Abraão. Morreu também o rico e foi sepultado.

23 E estando ele nos tormentos do inferno, levantou os olhos e viu, ao longe, Abraão e Lázaro no seu seio.

24 Gritou, então: ‘Pai Abraão, compadece-te de mim e manda Lázaro que molhe em água a ponta de seu dedo, a fim de me refrescar a língua, pois sou cruelmente atormentado nestas chamas’.

25 Abraão, porém, replicou: ‘Filho, lembra-te de que recebeste teus bens em vida, mas Lázaro, males; por isso ele agora aqui é consolado, mas tu estás em tormento.

26 Além de tudo, há entre nós e vós um grande abismo, de maneira que, os que querem passar daqui para vós, não o podem, nem os de lá passar para cá’.

27 O rico disse: ‘Rogo-te então, pai, que mandes Lázaro à casa de meu pai, pois tenho cinco irmãos,

28 para lhes testemunhar, que não aconteça virem também eles parar neste lugar de tormentos’.

29 Abraão respondeu: ‘Eles lá têm Moisés e os profetas; ouçam-nos!’

30 O rico replicou: ‘Não, pai Abraão; mas se for a eles algum dos mortos, arrepender-se-ão’.

31 Abraão respondeu-lhe: ‘Se não ouvirem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão convencer, ainda que ressuscite algum dos mortos’”.

Palavra da Salvação.


Sobre as Oferendas

Ó Deus, por este sacrifício santificai nossa Quaresma, de modo que sua observância externa possa frutificar em nossos corações. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão

Felizes aqueles cuja vida é pura, os que andam na lei do Senhor! (Sl 118,1)

Depois da Comunhão

Ó Deus, que esta eucaristia continue a agir em nós e prolongue seus efeitos em nossa vida. Por Cristo, nosso Senhor.

                              Reflexão sobre o Evangelho

                                Por Padre Donizete Ferreira - Sacerdote da Comunidade Canção Nova 

Reconheça a presença de Jesus na vida do próximo

“Naquele tempo, disse Jesus aos fariseus: Havia um homem rico, que se vestia com roupas finas e elegantes e fazia festas esplêndidas todos os dias. Um pobre, chamado Lázaro, cheio de feridas, estava no chão, à porta do rico. Ele queria matar a fome com as sobras que caíam da mesa do rico. E, além disso, vinham os cachorros lamber suas feridas. Quando o pobre morreu, os anjos levaram-no para junto de Abraão. Morreu também o rico e foi enterrado. Na região dos mortos, no meio dos tormentos, o rico levantou os olhos e viu de longe a Abraão, com Lázaro ao seu lado. Então gritou: ‘Pai Abraão, tem piedade de mim!’” (Lucas 16,19-24).

 

É uma Palavra muito forte, é um tema também proposto por esse tempo quaresmal: compreender que a nossa vida, um dia, terá um fim. Um dia cada um de nós também vai prestar conta da própria existência diante de Deus. Por isso, precisamos viver bem o tempo de hoje, por isso, precisamos acolher Jesus Cristo escondido no pobre, no faminto, no sedento, naquele que está injustiçado, no preso, no doente. É bom já aprender desde agora a reconhecer a presença de Jesus nessas realidades!

A Palavra diz que um dos personagens é rico, não fala o nome dele, e isso não está aqui à toa, porque rico é o “nome” dessa pessoa. Quando algo neste mundo toma o lugar da minha identidade, ela passa a ser aquilo que eu tenho porque essa pessoa se identificou com as suas riquezas, não tinha mais o nome, ela perdeu a sua identidade porque imaginava que ela era o que tinha. E, ao contrário, o pobre não tem nada, mas ele preserva o seu ser, ele se chama Lázaro. Apesar de ter vivido na miséria, essa miséria material, ele não perdeu a sua dignidade de filho de Deus. Chama-se Lázaro e é destinatário da misericórdia do Senhor.

Precisamos aprender desde agora a reconhecer a presença de Jesus na vida dos nossos irmãos

Certamente, levaremos para a eternidade aquilo que somos, e não aquilo que temos. Ainda não vi nenhum caixão com bens materiais, com dinheiro, com carro, com casa. Levamos para eternidade aquilo que nós somos, como nós escolhemos viver hoje seguindo os valores do Evangelho, seguindo aquilo que o Senhor nos orienta.

Por que desse tormento? Na verdade, o tormento é a solidão de não ter ninguém nem a si mesmo. O tormento daquele rico é estar sozinho, consigo mesmo. Ele também não era capaz de suportar porque ele pensava, unicamente e exclusivamente, nas riquezas, não se pensava no outro. Essa é uma experiência certamente de inferno, a solidão é uma experiência infernal! Então, esse tormento marca isso, por isso, precisamos aprender desde agora — repito: reconhecer a presença de Jesus na vida dos nossos irmãos.

O Evangelho diz que o pobre foi levado pelos anjos. Existe uma continuidade da sua existência terrena na eternidade porque ele vai colher o que plantou. O Evangelho diz: “O rico foi enterrado”; o coração dele estava aqui, nesta Terra, o coração dele não estava na eternidade, isso diz muito para nós.

Vivemos no tempo presente, com as realidades do tempo presente, mas o coração precisa estar em Deus, nas coisas do Alto, voltado para as coisas do Alto, nos desprender das coisas da Terra para nos apegar às coisas de Deus.

Que a graça do Senhor nos ajude, neste tempo quaresmal, a nos libertar de todos os nossos apegos e a viver exclusivamente de Deus!

Sobre todos vós, a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

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