18/03/2022 - LITURGIA E REFLEXÃO DIÁRIA - A sua vida é uma dádiva de Deus

 

II SEMANA DA QUARESMA (Roxo – Ofício do Dia)

Antífona de Entrada

Senhor, a vós recorro, que eu não seja confundido para sempre. Vós me tirais do laço que me armaram, vós sois meu protetor (Sl 30,2.5).

Oração do dia

Concedei-nos, ó Deus todo-poderoso, que, purificados pelo esforço da penitência, cheguemos de coração sincero às festas da Páscoa que se aproximam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

Leitura (Gênesis 37,3-4.12-13.17-28)

Leitura do livro do Gênesis.

37 3 Israel amava José mais do que todos os outros filhos, porque ele era o filho de sua velhice; e mandara-lhe fazer uma túnica de várias cores.

4 Seus irmãos, vendo que seu pai o preferia a eles, conceberam ódio contra ele e não podiam mais tratá-lo com bons modos.

12 Os irmãos de José foram apascentar os rebanhos de seu pai em Siquém.

13 Israel disse a José: “Teus irmãos guardam os rebanhos em Siquém. Vem: vou mandar-te a eles.” “Eis-me aqui”, respondeu José.

17 E o homem respondeu: “Partiram daqui e ouvi-os dizer: Vamos a Dotain.” Partiu então José em busca dos seus irmãos e encontrou-os em Dotain.

18 Eles o viram de longe. Antes que José se aproximasse, combinaram entre si como o haveriam de matar;

19 e disseram: “Eis o sonhador que chega.

20 Vamos, matemo-lo e atiremo-lo numa cisterna; diremos depois que uma fera o devorou; e então veremos de que lhe aproveitaram os seus sonhos.”

21 Ouvindo-o, porém, Rubem, quis livrá-lo de suas mãos: “Não lhe tiremos a vida, disse ele.

22 Não derrameis sangue. Jogai-o naquela cisterna, no deserto, mas não levanteis vossa mão contra ele.” Pois Rubem pensava livrá-lo de suas mãos para o reconduzir ao pai.

23 Quando José se aproximou de seus irmãos, eles o despojaram de sua túnica, daquela bela túnica de várias cores que trazia,

24 e jogaram-no numa cisterna velha, que não tinha água.

25 E, sentando-se para comer, eis que, levantando os olhos, viram surgir no horizonte uma caravana de ismaelitas vinda de Galaad. Seus camelos estavam carregados de resina, de bálsamo e de ládano, que transportavam para o Egito.

26 Então Judá disse aos seus irmãos: “Que nos aproveita matar nosso irmão e ocultar o seu sangue?

27 Vinde e vendamo-lo aos ismaelitas. Não levantemos nossas mãos contra ele, pois, afinal, é nosso irmão, nossa carne.” Seus irmãos concordaram.

28 E, quando passaram os negociantes madianitas, tiraram José da cisterna e venderam-no por vinte moedas de prata aos ismaelitas, que o levaram para o Egito.

Palavra do Senhor

Salmo Responsorial 104/105

Lembrai sempre as maravilhas do Senhor!

 

Mandou vir, então, a fome sobre a terra

e os privou de todo pão que os sustentava;

um homem enviara à sua frente,

José, que foi vendido como escravo.

 

Apertaram os seus pés entre grilhões

e amarraram seu pescoço com correntes,

até que se cumprisse o que previra,

e a palavra do Senhor lhe deu razão.

 

Ordenou, então, o rei que o libertassem,

o soberano das nações mandou soltá-lo;

fez dele o senhor de sua casa,

e de todos os seus bens o despenseiro.

Evangelho (Mateus 21,33-43.45-46)

Jesus Cristo, sois bendito, sois o ungido de Deus Pai!

Deus o mundo tanto amou, que lhe deu seu próprio Filho, para que todo o que nele crer encontre vida eterna (Jo 3,16).

 

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.

Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: 21 33 “Ouvi outra parábola: havia um pai de família que plantou uma vinha. Cercou-a com uma sebe, cavou um lagar e edificou uma torre. E, tendo-a arrendado a lavradores, deixou o país.

34 Vindo o tempo da colheita, enviou seus servos aos lavradores para recolher o produto de sua vinha.

35 Mas os lavradores agarraram os servos, feriram um, mataram outro e apedrejaram o terceiro.

36 Enviou outros servos em maior número que os primeiros, e fizeram-lhes o mesmo.

37 Enfim, enviou seu próprio filho, dizendo: ‘Hão de respeitar meu filho’.

38 Os lavradores, porém, vendo o filho, disseram uns aos outros: ‘Eis o herdeiro! Matemo-lo e teremos a sua herança!’

39 Lançaram-lhe as mãos, conduziram-no para fora da vinha e o assassinaram.

40 Pois bem: quando voltar o senhor da vinha, que fará ele àqueles lavradores?”

41 Responderam-lhe: “Mandará matar sem piedade aqueles miseráveis e arrendará sua vinha a outros lavradores que lhe pagarão o produto em seu tempo”.

42 Jesus acrescentou: “Nunca lestes nas Escrituras: ‘A pedra rejeitada pelos construtores tornou-se a pedra angular; isto é obra do Senhor, e é admirável aos nossos olhos’?

43 Por isso vos digo: ser-vos-á tirado o Reino de Deus, e será dado a um povo que produzirá os frutos dele”.

45 Ouvindo isto, os príncipes dos sacerdotes e os fariseus compreenderam que era deles que Jesus falava.

46 E procuravam prendê-lo; mas temeram o povo, que o tinha por um profeta.

Palavra da Salvação.


Sobre as Oferendas

Ó Deus, que a vossa misericórdia prepare os corações dos vossos fiéis e os leve, por uma vida santa, à plenitude dos mistérios que celebramos. Por Cristo, nosso Senhor.

Antífona da Comunhão

Deus nos amou e enviou seu Filho, redenção pelos nossos pecados (1Jo 4,10).

Depois da Comunhão

Ó Deus, dai-nos caminhar de tal modo, que possamos alcançar a salvação eterna, cujo penhor agora recebemos. Por Cristo, nosso Senhor.

                              Reflexão sobre o Evangelho

                                Por Padre Donizete Ferreira - Sacerdote da Comunidade Canção Nova 

A sua vida é uma dádiva de Deus

“Naquele tempo, dirigindo-se Jesus aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos do povo, disse-lhes: ‘Escutai esta outra parábola: Certo proprietário plantou uma vinha, pôs uma cerca em volta, fez nela um lagar para esmagar as uvas e construiu uma torre de guarda. Depois arrendou-a a vinhateiros, e viajou para o estrangeiro. Finalmente, o proprietário, enviou-lhes o seu filho, pensando: ‘Ao meu filho eles vão respeitar’. Os vinhateiros, porém, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vinde, vamos matá-lo e tomar posse da sua herança!’” (Mateus 21,33.37-38).

 

Meus irmãos e minhas irmãs, a nossa vida é essa vinha, nós nos identificamos com essa vinha porque não fomos nós quem quisemos a nossa vida, não fomos nós quem plantamos a nossa existência nesta terra e não fomos nós quem a tornamos possível. Tudo é dom de Deus, tudo veio de Deus, a nossa vida é uma dádiva de Deus, a nossa vida é um presente que o Senhor nos concedeu e foi confiada a nós como essa vinha que foi arrendada a esses servos.

A nossa vida também foi entregue nas nossas mãos com muita confiança da parte de Deus, o nosso Criador. E aqui é bonito porque a ausência do proprietário dessa vinha, que fala o Evangelho, fala-nos do nosso Deus que nos deixou completamente livres, que nos criou livres e nos deixa livres; fala desse pai responsável que cuida de nós como filhos.

Deus não cuida de nós como marionetes, Ele não cuida de nós como escravos, Ele não cuida de nós como bebês. Deus cuida de nós como filhos maduros. Por isso, a ausência não pode ser mal interpretada, a ausência nos chama a atenção para essa liberdade de Deus, para essa assistência de Deus, esse olhar amoroso d’Ele, mas que deixa espaço para a liberdade, para construirmos na liberdade uma experiência de maturidade.

A nossa vida também foi entregue nas nossas mãos com muita confiança da parte de Deus, o nosso Criador

Muitas vezes, infelizmente, por causa do nosso pecado, essa ausência pode ser mal interpretada, imaginando que Deus possa ter abandonado. Quantas vezes você passa por um sofrimento e a tentação bate à porta do seu coração imaginando e fazendo você pensar que Deus te abandonou. Não é assim! Mas também a ausência pode criar em nós aquele vício da autossuficiência, ou seja: “Eu me basto”, “Não preciso de Deus”, “Deus pode ficar de lado, a minha vida resolvo eu”. Esse tempo quaresmal é, justamente, uma oportunidade para purificar o nosso coração destas tendências: ora desprezar Deus; ora imaginar que Deus tenha nos desprezado.

A reação violenta que aparece aqui no Evangelho é, justamente, fruto do afastamento do rosto de Deus, que é amor. Quando nós nos afastamos de Deus, realmente nos tornamos uma fera, no nosso coração pode brotar sentimentos de raiva, de rancor, de vingança, de ressentimento. Essa reação violenta, que fala o Evangelho, é todas as vezes que nos afastamos de Deus, que é amor.

E aí, a Palavra diz também que, por fim, diante de várias tentativas do amor de Deus, Ele enviou o Filho que veio para nos curar desse abismo, dessa distância que existia entre nós e Deus, dessa nossa ideia errada de Deus, do nosso pecado, o Filho é morto. Aqui é uma prefiguração da Paixão de Jesus, do sofrimento de Jesus, que foi o preço que a Santíssima Trindade pagou por nos amar, o Pai deu Seu próprio Filho, o Pai entregou Seu próprio Filho; e, na força do Espírito Santo, o Filho não pode dizer “não” ao Pai, cumpriu a Sua vontade até o fim, dando o Seu sangue para a minha salvação e para a sua salvação.

Sobre todos vós, a bênção do Deus Todo-poderoso. Pai, Filho e Espírito Santo. Amém!

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

DONS EFUSOS (CARISMÁTICOS) DOM DO REPOUSO NO ESPIRÍTO SANTO #10- Formação continuada da FÉ

DONS EFUSOS (CARISMÁTICOS) DOM DA FÉ #4 - Formação continuada da FÉ