DONS EFUSOS (CARISMÁTICOS) DOM DE LÍNGUAS #1 - Formação continuada da FÉ
Línguas estranhas é um dom que
Deus dá para falar em uma língua que você não aprendeu. O Espírito Santo guia totalmente sua oração.
Para que serve?
Existe muita confusão na mente das pessoas a
respeito do dom das línguas. Muitos pensam que falar em línguas significa ter o
dom de ensinar a palavra de Deus em linguagem humana não aprendida
anteriormente, como aconteceu em Pentecostes (At 2).
Outros tiram do contexto certos textos de São Paulo
e afirmam que Paulo desencoraja o uso deste dom. Embora provavelmente bem intencionadas,
estas pessoas se enganam, porque um estudo discernido da Escritura vai
mostrar-nos que há três aspectos no dom de línguas: em alguns casos é um sinal
(miraculoso), frequentemente é uma mensagem normal de Deus à assembleia, e na
maioria dos casos é um belo dom de oração.
Além disso, longe de menosprezar o dom, Paulo o
tinha em alta consideração por seus vários usos.
Uso público
A maioria dos conselhos de Paulo sobre as línguas,
na 1a Carta aos Coríntios, fala sobre o uso disciplinado das línguas nas
reuniões públicas dos discípulos para oração e partilha.
Ao dar este conselho, Paulo estava indo ao encontro
das necessidades da Igreja de Corinto e respondendo às perguntas que lhe faziam
(1Cor 7,1;11,18;12,1).
Longe de desencorajar o uso das línguas, Paulo
estava encorajando a usá-las com propriedade, para benefício comum. No contexto
público, duas funções possíveis eram preenchidas por este carisma: mensagem e
sinal.
Quando o dom é usado para levar uma mensagem, o que
é falado à assembleia em línguas, deve ser inteligível. Daí Paulo aconselhar
sobre a necessidade do carisma de interpretação (1Cor 14,5 e 27).
Interpretação não é tradução, pois quem interpreta
não compreende os sons estranhos pronunciados. Mas o intérprete é inspirado
pelo Espírito a partilhar na fé a intuição ou a ideia do que seja a mensagem;
nisto, é semelhante à operação da profecia. Paulo encoraja aquele que fala em
línguas a pedir para si mesmo o poder de interpretá-las (1Cor 14,13).
O dom pode, também, servir de sinal: os sons
estranhos articulados são, às vezes, inteligíveis por si mesmos,
miraculosamente, sem a necessidade de interpretação.
Neste caso, a pessoa para quem, o sinal é dirigido
(1Cor 14,22) poderá compreender os sinais, porque eles são verdadeiramente
linguagem humana de seu conhecimento. Isto é o que parece ter acontecido no
dia de Pentecostes e, talvez, na conversão de Cornélio (At 2,4-12; At 10,45-46;
ver também Mc 16,47). Vemos também os exemplos atuais disto.
O uso na oração pessoal
"Aquele que fala em línguas não fala aos
homens, senão a Deus: ninguém o entende, pois fala coisas misteriosas, sob a
ação do Espírito... (1Cor 14,2). Se eu oro em virtude do dom das línguas, o meu
espírito ora, mas o meu entendimento fica sem fruto, ou seja, minha mente não
contribui em nada (1Cor 14,14)”.
"Outrossim, o Espírito vem em auxílio de nossa
fraqueza, porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o
Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis." (Rm 8,26).
As línguas são uma ajuda à oração, feita para
aqueles que em várias ocasiões se sentem "enfraquecidos" e incapazes
de orar bem da maneira comum.
É uma oração que não se baseia em conceitos. Daí,
poder ajudar uma pessoa a orar a qualquer hora, mesmo quando estiver distraída,
cansada ou ocupada em trabalho mecânico.
Dá descanso à atividade frenética da mente, um
valor apreciado pelos mestres espirituais de todas as tradições.
Podemos ver quão pura é esta oração. Em outras
formas de oração, usamos pensamentos e imagens como meios de chegar a Deus.
Nesta oração, vamos além deles, deixamos que eles fiquem
para trás, à medida que nós chegamos ao próprio Deus. É um ato de fé muito
puro. Talvez, nesta oração, pela primeira vez nós realmente agimos em
"pura" fé. Muitas vezes nossa fé está apoiada em conceitos e imagens
da fé. Aqui vamos, além deles, ao objeto da fé, deixando todos os conceitos e
imagens para trás.
Também podemos notar quão cristã é esta oração.
Pois realmente morremos para nós mesmos, ao nosso ser mais superficial, ao
nível dos pensamentos, imagens e sentimentos, para podermos viver para Cristo.
“Morremos” para os nossos pensamentos e imaginações, não importa quão bonitos
sejam ou quão úteis possam ser. Deixamos que fiquem todos para trás, pois
queremos um contato imediato com o próprio Deus, e não um pensamento, uma
imagem ou visão dele somente a experiência de fé em Deus.
O dom é para uso no louvor a Deus, quando uma
pessoa fica sem palavras ou ideias, e na oração de intercessão. Quando não se
sabe o que pedir ou para quem orar, o Espírito está pronto para interceder
através de nossos sons articulados (Rm 8,26).
A experiência dos que estão na Renovação
Carismática diz que esta oração é eficaz e frutífera.
O dom é também útil como um meio de entrar na
oração de contemplação, como têm testemunhado monges beneditinos e Trapistas, e
também para combater eficazmente na batalha espiritual (Ef 6,10-11 e 18).
Paulo nos lembra que estamos todos engajados na
batalha espiritual. Nossa batalha continua não é com realidades humanas, mas
com forças sobre-humanas contra as quais somos incapazes por nós mesmos. Daí
nossa necessidade de usar toda a armadura de Deus e nos apoiar totalmente em
seus dons e em seu poder. Este poder atingimos pela fé.
A experiência de Paulo e a experiência atual dos
que estão na Renovação Carismática nos dizem que usar o dom das línguas é um
bom meio de lutar contra o inimigo efetivamente devastador, e de vencer suas
tentações.
Não é para menos que tantas vezes sejamos tentados
pelo mentiroso a minimizar este dom e a deixar de usá-lo.
Uma Oração de Fé
Pelo fato de construir a nossa fé, o dom das
línguas é, muitas vezes, chamado de porta de entrada para os outros dons -
"o carisma limiar".
Para receber e usar todos os carismas, como a
profecia, a cura, a palavra de ciência, e os demais, a pessoa precisa ter uma
fé ativa e expressa.
Receber - entregar-se - ao dom das línguas dá à
pessoa a experiência do que isto significa. Desta forma é o limiar para os
outros dons.
No entanto, entregar-se ao dom das línguas não é
pré-requisito para receber os outros dons. "Aquele que fala em línguas
edifica-se a si mesmo... ora, desejo que todos faleis em línguas" (1Cor
14,4-5). Edificar significa construir, fazer firme e forte. Orar em línguas é
um modo importante de construir nossa fé. Como exercitamos nossa fé, usando-a,
seu uso frequente torna-a mais forte. Quanto mais regularmente usamos o dom,
rejeitando todas as tentações de dúvida e cansaço, mais nossa fé é edificada e
construída. Por isso Paulo, cuja fé era tremenda, podia proclamar publicamente:
"Graças a Deus que possuo o dom de línguas,
superior a todos vós" (1Cor 14,18).
Naturalmente, orar em línguas é apenas uma das
muitas formas de oração. Os que estão na Renovação Carismática também usam
muito a oração litúrgica, a Eucaristia, o oficio divino e outras formas
tradicionais de devoção pública e particular. Paulo encoraja isto também,
dizendo:
"Orarei com o espírito, mas orarei também com
o entendimento (1Cor 14,15)”.
A oração em línguas não pode ser julgada por si
mesma. Porque vai além do pensamento, além da imagem, nada fica pelo qual ela
possa ser julgada. Na oração ativa conceitual podemos fazer alguns julgamentos
depois que oramos: "Tive umas sensações boas", ou "Tive muitas
distrações". Mas tudo isto é irrelevante a esta oração. Portanto, nada
fica pelo qual ela possa ser julgada.
Existe, porém, uma forma que permite ao que é bom
nesta oração ser confirmado para nós. Nosso Senhor disse: "Podeis julgar a
árvore por seus frutos". Se formos fiéis a esta forma de oração,
tornando-a uma parte regular do nosso dia, rapidamente iremos discernir o
amadurecimento dos frutos do Espírito em nossas vidas.
Como receber o Dom?
Este dom, em seus três aspectos, é um meio e uma
oportunidade de nos entregarmos totalmente mesmo o nosso intelecto! - ao
senhorio de Jesus. "Se alguém tiver sede, venha a mim e beba, quem crê em
mim, como diz a Escritura: "Do seu interior manarão rios de água
viva" (Jo 7,37-38).
Se queremos receber este dom, devemos:
1. ANSIAR PELO DOM
Reflita sobre as Escrituras e esteja convencido, na
mente e no coração, de que este dom é de Deus, dado à Igreja hoje, e à
disposição dos fiéis. Lembre-se das palavras de Paulo: "Aspirai igualmente
aos dons espirituais... desejo que todos faleis em línguas... graças a Deus,
que possuo o dom de línguas superior a todos vós... aquele que fala em línguas
não fala aos homens, senão a Deus... aquele que fala em línguas edifica-se a si
mesmo... orarei com o espírito, mas orarei também com o entendimento... orai o
tempo todo no Espírito" (1Cor 14,15; Ef 6,18).
2. VIR A JESUS E PEDIR O
DOM DA ORAÇÃO.
Conte-lhe o desejo de seu coração. Peça com amor e
fé.
3. ACEITAR O DOM DE
JESUS NA FÉ E COMEÇAR A USÁ-LO.
Saiba que Deus ouviu sua oração. (Lc 11,13)
Fale deliberadamente em sons ininteligíveis
enquanto sua atenção se concentra inteiramente em Deus.
Deve-se ter a intenção de que estes sons sejam para
oração de louvor ou de intercessão. Inicialmente o dom pode ser muito
rudimentar - as mesmas duas ou três silabas repetidas sempre. Mas o uso regular
e persistente do dom - digamos uns quinze minutos todos os dias - levará em
poucos dias a uma língua mais desenvolvida e satisfatória.
Nossa base para este método é a fé expectante
tantas vezes ilustrada e encorajada na Escritura; por exemplo, em Jo 2,7-1 O;
Lc 17,12-16; Mt 14,22-31. Aqui, as pessoas envolvidas tinham que dar o primeiro
passo. Elas tinham que agir, sem levar em consideração o risco de que nada
pudesse acontecer, e apoiando-se inteiramente na bondade de Deus e no desejo de
agir. E porque acreditaram e agiram nesta fé, descobriram, para sua felicidade,
que haviam realmente sido abençoadas "Tudo o que pedirdes na oração,
crede que o tendes recebido, e ser-vos-á dado" (Mc 11,24).
4. CONTINUAR A CRER E
USAR ESTE DOM PARA ORAÇÃO.
Não há provas humanas possíveis para encorajar-nos
a esta entrega ao dom. No entanto, seremos convencidos pela evidência que se
seguirá ao seu uso constante. Por seus frutos em nossa vida, seremos capazes de
julgar seu valor e sua autenticidade.
1 Coríntios
13:8-10 explica que os dons de profecia e línguas só cessarão
no fim dos tempos, quando Deus tornar tudo perfeito. Não há nenhum lugar na
Bíblia que diz que esse dom era só para a época dos apóstolos.
Acompanhe os post´s para fortalecer-se na FÉ, com ESPERANÇA e vivendo o
AMOR - 1Cor 13,13. :)
A paz de Cristo e até breve!
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