VIDA MÍSTICA - Formação continuada da FÉ
Antes, é bom saber a diferença e real
sentido das palavras mística e misticismo, as palavras são muito parecidas,
mas a atitude é completamente oposta.
O místico é alguém que
vive do encontro pessoal com Deus. É possível ver no seu olhar o brilho do céu.
Seus gestos refletem o calor transfigurado de alguém que foi profundamente
tocado pela graça, podemos dizer que é alguém “cheio de graça”.
Místicos sabem
sorrir, sabem brincar, sabem rezar e fazer silêncio. O místico repousa no colo
de Deus. É criança sem ser infantil, vive antecipadamente na terra o que um dia
viverá eternamente no céu. É alguém que sente saudades do paraíso original e
sabe que caminha para lá.
Místico sonha de olhos abertos, não nega a realidade ou coloca
panos quentes nas situações difíceis.
Não tem medo de olhar para a política ou para economia. Místico
verdadeiro tem a Bíblia em uma das mãos e na outra um jornal.
Se está alheio à realidade, pode crer, místico ele não é, pois o
místico, como Moisés, está sempre diante da Sarça Ardente ouvindo Deus falar:
“Eu ouvi o clamor do meu povo. Vai lutar por libertação”(Ex 3,1-22).
O místico é crítico sem ser amargo. É consciente sem ser ranzinza.
É severo sem ser rigorista. É uma pessoa equilibrada.
A mística nos torna mais humanos, mais próximos da imagem original
pensada por Deus. A mística, portanto, é um caminho de santidade.
E o misticismo? É o subproduto.
Se a mística transforma as pessoas a partir de
dentro, o misticismo, como toda imitação, veste apenas uma
“camiseta”.
O misticismo topa tudo por dinheiro. É religião de mercado. Faz
dos símbolos religiosos uma grife.
O misticismo não tem compromisso, é apenas adereço pessoal
externo. Os misticóides costumam ser um pouco ridículos, exageram nos
badulaques, colocam três ou quatro tercinhos espalhados pelo corpo e,
raramente, dão-se conta de que aquele objeto foi feito para rezar.
O misticismo não reza, fica zen; não medita, entra em “alfa”.
O misticismo não conhece o bom humor. Misticóides são
primos-irmãos de fundamentalistas, um prato cheio para o terrorista que precisa
de uma “mula” que leve a bomba grudada ao próprio corpo.
Isso não é martírio, é burrice. Não é heroísmo, por mais justa que
seja a causa.
Somente Deus tem direito sobre a vida e a morte, mas o misticismo não percebe nada disso.
Infelizmente, também há misticismo católico.
A
mística nasce do amor. O misticismo é filho do egoísmo. A mística
se apoia nas virtudes como fé, esperança e caridade. O misticismo espiritualiza
os sete pecados capitais. É um guloso espiritual. Deixa a família para ir em
todos os retiros da paróquia - é colecionador de crachás. Depois, por isso,
acha-se melhor do que os outros e peca pela soberba espiritual. A prece para o
misticismo tem de ser gostosa. Não vai à Missa “daquele padre velhinho” na
segunda-feira, tem de ser padre “forte”, reza brava, ou seja, busca luxúria
espiritual. “Feijão com arroz” não serve. Tem de ser Missa especial, adoração
de cura, padre famoso e, de preferência, transmitido pela TV. Grupo de oração
de paróquia nem pensar, show com som bem alto é que é bom. Por pensar demais em
si mesmo e no cultivo da sua mística, o pseudomístico é avarento. E se alguém
escrever um artigo no blog, dizendo essas coisas, ele vai escrever um
comentário bem irado. Falta somente um pecado capital: a inveja.
Como o misticismo está muito distante da mística, seus
reféns acabam sentindo inveja dos verdadeiros santos.
Então, para viver uma VIDA MÍSTICA ou VIDA NO
ESPÍRITO, é preciso buscar as coisas
do alto, ter uma transformação interior, mudar o seu pensar e o
seu agir.
A mística cristã é fazer a experiência do
mistério de Cristo no hoje da história.
O verdadeiro místico não se esconde do
mundo. Ele está no coração do mundo testemunhando o sentido da vida que
prevalece ante os sinais de morte. O místico não é um ser vegetativo, mas
profundamente ativo e contemplativo.
Não é pensar as coisas, mas sentir as coisas tão
profundamente a ponto de perceber o mistério fascinante que habita a
interioridade.
Para ele nenhuma mística é autêntica se não se
converter verdadeiramente em compaixão e TER compaixão é ser capaz
de estar com o outro, sair de si, sofrer com o outro. É ser movido por um amor
desinteressado.
Mística não é, portanto, pensar sobre Deus, mas
sentir Deus em todo o ser. Mística não é falar sobre Deus, mas falar a
Deus e entrar em comunhão com Deus. Quando rezamos, falamos com Deus. Quando
meditamos, Deus fala conosco. Viver esta dimensão no cotidiano é cultivar a
mística
Essa experiência do falar a Deus é vivida,
sobretudo, no espírito da oração e da meditação, onde se fala com Deus e Deus
fala com a pessoa que a ele se dirige.
Fica claro que a mística é uma
experiência de unidade cultivada no dia a dia. Não é algo extraordinário
que somente algumas pessoas podem fazer esta experiência, não é um privilégio
de poucos escolhidos, mas sim a característica humana por excelência. Ela é “a
experiência da Vida” onde o divino e humano se entrelaçam.
Muitos
associam mística com claustros, monges, silêncio, penitência, jejum, olhos
fechados, ambiente sagrado e fechado onde se anda calma e lentamente, longe do
mundo barulhento, mas não, são pessoas que descobriram a dimensão
do sublime, isto é, do sagrado em Deus, nos seres humanos e em toda
criação.
Místico é alguém que
penetrou na interioridade (en-stasis) a fim de descobrir o próprio centro, vencendo a ilusão e a
dispersão existencial, a superficialidade e o anseio consumista. Só assim é
possível sair de si (ex-stasis) e desprender-se
na abertura ao outro em compaixão
Os místicos de todas as
épocas buscaram e encontraram não apenas a unificação do próprio ser ou a união
com Deus, mas a união entre si mesmos no espírito de Deus. É alguém que saiu da casca da superficialidade se adentrou para
a seiva da interioridade para descobrir o seu tesouro, ou seja, seu núcleo
essencial - voltar-se para si, mas não permanecer em si. Nessa
unidade de corpo-mente-coração, reconciliado consigo e com o mundo
vivendo uma profunda relação de intimidade com Deus na qual,
cultivam essa experiência por meio da oração, do silêncio e da
compaixão. No contínuo diálogo amigável o místico vai adentrando sempre
mais e mais no mistério de Deus. Para tornar-se um com Ele.
A mística
cristã tem como centro não uma ideia, mas uma pessoa: Jesus e,
viver essa experiência de encontro pessoal com Cristo não é exclusividade de
algumas pessoas privilegiada ou quem possuem “dons especiais” ou
“sobrenaturais” e sim, trilhar o caminho da experiência do sagrado. Muitos
perguntam pelo ser de Deus, ou seja, pela sua própria essência, mas acabam
esquecendo-se de perguntar por si próprios. A mística não é uma questão
puramente metafísica. É uma experiência concreta, inclusiva e ativa no aqui e
agora da historicidade do humano.
Sintetizando, a mística cristã é uma experiência de amizade profunda com
Cristo e seu mistério. O místico é um amigo de Cristo. Vive sua vida
confrontada e iluminada pela vida de Cristo sem deixar de estar envolvido no
contexto sócio-político-cultural em que está inserido.
Acompanhe os post´s para fortalecer-se
na FÉ, com ESPERANÇA e vivendo o AMOR - 1Cor 13,13. :)
A paz de Cristo e até breve!
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